Preconceito Linguístico
Enviada em 31/07/2019
A ditadura da norma padrão da língua
Durante a colonização lusitana no Brasil, o preconceito linguístico já era presente pela pressão dos portugueses contra as línguas indígenas e africanas. Hoje há uma grande variedade de dialetos regionais e sociais por todo o mundo, entretanto, uma ditadura da língua padrão é produzida e alimentada por diferentes programas de comunicação em massa, sendo difundida pela sociedade. O preconceito linguístico causa perda de variações linguísticas, além de forte opressão e constrangimento com determinados grupos sociais.
Primeiramente, o filósofo Michel Foucalt diz que o preconceito linguístico é o mesmo que um social, pois é um instrumento de poder agindo como um mecanismo de dominação e repressão. Deste modo, grupos sociais que não utilizam a norma padrão, apresentam sotaque e fazem o uso de gírias, são humilhados e se tornam motivo de brincadeiras para pessoas que utilizam a norma culta. Ademais, esta repressão pode causar dificuldade para conseguir um emprego e se integrar em grupos sociais, sendo o modo de falar uma maneira de segregação na sociedade.
Outrossim, Pierre Bordieu demonstra, através do capital cultural, que diferentes conhecimentos de classes sociais mais baixas não são valorizados de mesma forma que outras classes. Dessa maneira, é nítido que um grande alvo do preconceito linguístico, se define nas pessoas com menores condições financeiras, devido ao baixo nível de escolarização que não foca no ensino do uso correto da gramática. Por outro lado, há uma construção social, escolar e midiática para que haja esse preconceito linguístico com essas classes e ela deve ser quebrada.
Portanto, urge que as escolas combatam o conteudismo, que aborda o assunto da variedade linguística como algo fora da realidade do aluno, deixando o mesmo propício a se tornar preconceituoso. Também é necessário que as mídias sociais quebrem essa ditadura da norma padrão, utilizando de variedade linguística sem demonstrar qualquer indício de preconceito, incluindo outros dialetos em seu conteúdo. Assim, as escolas e as mídias informarão e incluirão mais as pessoas nesta realidade, criando uma mentalidade diferenciada e alterando seu modo para uma percepção compreensiva de algo natural da sociedade, diminuindo o preconceito e a repressão.