Preconceito Linguístico

Enviada em 12/06/2019

Na obra “Modernidade líquida”, Zygmunt Bauman afirma que o individualismo é uma das principais características da pós-modernidade e em consequência disto, grande parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Analogamente ao pensamento do sociólogo, a realidade do século XXI mostra-se completamente alheia ao fato de que a sociedade brasileira é formada por um conglomerado de culturas e variações linguísticas, que carecem de alteridade.

É inegável o valor intrínseco á existência de uma norma que regulamente a escrita e a torne homogênea através de regras, como afirma o linguista e filósofo Marcos Bogno. Entretanto, o autor apresenta também a ressalva de que são estes mesmos moldes que causam a exclusão social e o preconceito, pois o domínio dessas normas se encontra majoritariamente em meio á classe com maior poder aquisitivo.

Embora haja diversas medidas de conscientização acerca desta disparidade verbal, deve-se elucidar que incluir não é somente trazer para perto como muitas ações sociais o fazem. É preciso respeitar e crescer junto ao outro, segundo o filósofo alemão Habermas propõe. Dessa forma a variedade linguística poderá representar mais um dos muitos fatores enriquecedores da cultura brasileira.

Para que este ideal seja alcançado, é imprescindível que o combate ao preconceito linguístico seja efetivo. Primeiramente, a mídia deve atuar como veículo principal na propagação da diversidade como agente fomentador de nosso sortimento como sociedade, deixando de lado personagens caricatos e ofensivos. Da mesma maneira, o ensino básico possui o encargo de formar indivíduos capazes de cingir as dessemelhanças desde a infância, contando com aulas de Língua Portuguesa que exponham e normalizem estas diversidades. Assim será possível caminhar em direção a um futuro de progressos encorajadores.