Preconceito Linguístico
Enviada em 13/06/2019
Desde o Brasil Colônia, observou-se a presença do preconceito linguístico exercido pelos colonos perante os nativos. A imposição da língua portuguesa, no processo de colonização resultou na descaracterização da linguagem nacional indígena. O preconceito é gerado por qualquer intolerância ou ignorância das diferenças linguísticas existentes em um idioma. Sobre esse viés histórico e explicativo, o preconceito com as variações linguísticas ainda se apresenta no Brasil e apesar das diversas culturas, o estabelecimento de uma norma padrão faz juízo de valor perante as outras.
Em 1922 na capital de São Paulo, ocorreu a “Semana de Arte Moderna” que causou grande reboliço e impacto na sociedade linguística brasileira. Antes do movimento modernista, toda e qualquer forma escrita que não se encaixava na estética culta e poética do Parnasianismo era mal vista. Entretanto, depois da semana de “22”, as mais variadas formas começaram a ser aceitas e o tabu da escrita foi rompido. Sob esse viés, da mesma forma que os Parnasianos pregavam uma forma como a correta, o preconceito linguístico se perpetua, tal qual é fruto de cidadãos que acham que a sua forma de se expressar é a correta.
Segundo o linguista Marcos Bagno, o conhecimento da gramática normativa é utilizado pela população culta como instrumento de distinção e dominação. Em 2016, o caso de um médico que debochou de um paciente por pronunciar “raôxis”, causou grande indignação. Pessoas que moram em regiões interioranas e no nordeste do Brasil sofrem preconceito diretamente. As características marcantes do sotaque e gírias levam indivíduos que possuem nível alto de escolaridade acharem que são superiores, muitas vezes, zombam, humilham, tratam com diferença e inferiorizam a população que se expressa de forma diferente.
Torna-se evidente, portanto, que o preconceito linguístico deve ser exterminado e as diferenças devem ser aceitas e respeitadas, mas, a fim de minimizar a problemática, se faz necessária intervenção de órgãos engajados. Para manter a heterogeneidade das variações e o respeito entre a sociedade, é de suma importância que o Ministério da Educação faça investimento na organização de uma semana de variação linguística dentro do planejamento estudantil, pois apesar de ser um ato pequeno, a inserção dos jovens no conhecimento das diferenças já é um grande passo. Nessa semana, os coordenadores, professores e membros da sociedade poderão organizar palestras, trabalhos e feiras culturais para aguçar a curiosidade dos alunos quanto à temática da variabilidade linguística. De outra parte, as empresas de telecomunicação devem criar, por meio de seus profissionais, propagandas que incentivem a valorização das múltiplas formas linguísticas existentes no Brasil. Dessa forma, conquistaremos o respeito e o preconceito linguístico não será mais uma problemática da sociedade brasileira.