Preconceito Linguístico

Enviada em 26/06/2019

O Brasil, por ser uma nação de grandiosa extensão territorial, envolve uma rica diversidade sobre variantes linguísticas. No entanto, os moldes hodiernos denunciam atos de assédio e preconceito linguístico à medida que pessoas fazem uso inadequado da comunicação, principalmente no que tange à linguagem normativa como instrumento de prestígio ou poder social. Esse fenômeno tem raízes fixas no país e trata-se de um problema estrutural, além disso, é representado no ambiente escolar e, portanto, deve ser urgentemente combatido, a fim de salvaguardar os valores preconizados pela Constituição Federal de 1988.

Em primeira análise, é válido ressaltar que a supervalorização da norma padrão nas escolas as tornam, cada vez mais, lugares excludentes. Assim, como bem disse Pierre Bourdieu em seus estudos sobre a Violência Simbólica, o ambiente escolar torna-se um espaço de reprodução das desigualdades sociais quando preceitos – intransigentes, irrazoáveis e por vezes desmedidos – são utilizados para valorizar a ideologia de uma classe em detrimento das demais, principalmente para enaltecer a norma padrão. Cria-se dessa forma, um mito de unidade linguística que se estabelece potencializando o preconceito ao depreciar uma realidade marcada pela diversidade.

Nesse sentido,, convém apresentar o cenário brasileiro como herdeiro de uma segregação estrutural no viés identitário e linguístico. Esse impasse, por conseguinte, decorre de uma distopia sobre a marginalização de classes e é observado, perceptivelmente, pelo desprezo ao dialeto falado em favelas, como uma clara representação dos brasis contidos dentro desse país e da riqueza de variações linguísticas no campo diastrático, diatópico, diafásico e diacrônico. Dentro dessa ótica, nota-se uma perspectiva incapaz de perceber as nuances sutis da comunicação e da sua aplicabilidade e adaptabilidade segundo o contexto ao qual se refere, bem como Sírio Possenti, um dos maiores linguistas brasileiros, preconiza.

Destarte, entende-se o preconceito linguístico como um empecilho a ser, consideravelmente, combatido no âmbito social. Por isso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura a realização de apresentações lúdicas, ministradas pelo corpo docente aos discentes sobre a valorização da pluralidade linguística nacional com o intuito de evitar a rotulação  da variante comunicativa do aluno como inferior . Por fim, é imperativo aos serviços midiáticos transmitir  vídeos educativos acerca das múltiplas formas de manifestar cultura pelo uso de diferentes gírias ou regionalismos com o objetivo de quebrar paradigmas e preconceitos enraizados na atual conjuntura. Realizadas essa ideias, o Brasil desfrutará de um futuro de respeito e cooperatividade mútua.