Preconceito Linguístico
Enviada em 02/07/2019
No Romantismo, o romance brasileiro em prosa encontrou no autor Joaquim Manuel Macedo popularidade devido à simplicidade de seus escritos. Todavia, esse autor foi fortemente criticado por outros romancistas, por causa das diferenças de suas obras. Nesse contexto, o romance “A moreninha” expressa essa ideia, visto que nele o escritor se utiliza de uma linguagem mais informal, isto é, mais próxima da maneira de como é falada, o que revela o respeito pelas distintas expressões populares da época. Em contrapartida, hodiernamente, há o descaso pelas diversas falas, o que causa o preconceito linguístico, que introduz várias vertentes, tais como: a aversão à fala informal e a discriminação regional. Assim, são requeridas medidas que revertam essa situação e garantam o bem-estar da social.
A princípio, destaca-se o desrespeito à linguagem informal. Nesse caso, a fala culta, que é a utilizada nas escolas e universidades, é superiorizada em detrimento da coloquial, muito utilizada nas conversas cotidianas. Porém, os falantes da linguagem informal não possuem a escolaridade que os da formal têm, o que mostra uma certa desigualdade social entre eles. Segundo o linguista brasileiro Marcos Bagno, em seu livro “Preconceito Linguístico”, o mito de que as pessoas sem instrução falam tudo errado, está ligado a uma questão de preconceito social, pois elas pertencem a um meio desfavorecido, que não teve acesso à educação. Isso, causa a exclusão das classes mais carentes, sob uma má concepção que banaliza à língua popular e cria uma divisão social por meio da linguagem.
Posteriormente, lembra-se acerca do preconceito regional. No Brasil, por exemplo, isso ocorre muito devido as suas diversidades culturais e econômicas, localizadas em suas cinco regiões. Nesse viés, as áreas mais necessitadas se encontram em desvantagem em relação as mais desenvolvidas. Isso ocorre, já que fatores, como economia, escolaridade e industrialização, interferem na visão sobre a fala dessa região, o que provoca uma valorização da linguagem das mais desenvolvidas e, por consequência, o preconceito linguístico. Nessa perspectiva, a região Nordeste é a mais afetada, pois, consoante o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é a mais pobre do país. Desse modo, as diferenças sociais entre os povos, propicia um cenário de desrespeito pelos diversos dialetos.
Logo, alternativas devem ser apresentadas para a resolução desse problema. É preciso que haja conscientização. Dessarte, a escola, deve abordar o assunto entre os alunos por meio de trabalhos, como pesquisas estatísticas, reportagens e livros sobre o tema, com o fito de entender as causas da linguagem popular e, assim, não considerá-la incorreta, e sim um resultado social do meio. Ademais, o Governo Brasileiro deve investir nas regiões mais pobres do país, para alcançar a igualdade, e realizar campanhas televisivas que divulguem o tema, com o objetivo de culminar com esse tipo de preconceito.