Preconceito Linguístico
Enviada em 02/07/2019
O Tribunal da Santa Inquisição, na Idade Média, era utilizado para julgar aqueles que iam contra os conceitos estabelecidos da época. De maneira análoga, evidencia tal julgamento no mundo contemporâneo pela grande influência, muitas vezes pejorativa, da norma padrão gramatical imposta na sociedade, na qual está presente tanto nas escolas e sua influência nas desigualdades sociais. Dessa maneira, é necessário analisar o quadro vigente e propor alternativas públicas para solucionar o impasse.
Em uma primeira análise, é evidente a grande presença dessa padronização nas escolas e que, posteriormente, acarretará na emancipação do preconceito. Nesse sentido, a consultora educacional Cleo Fontes refere que tal ambiente é um dos grandes responsáveis pelas discriminações. Diante da perspectiva de Cleo é possível perceber como para o grupo minoritário que, muitas vezes, não teve um ensino básico de qualidade é tratado de forma inferiorizada; algo inadmissível, pois, em alguns casos, doenças psicopatológicas poderão ser desenvolvidas; é visível, então, essa contrariedade em uma sociedade que se diz igualitária constitucionalmente.
Ademais, é possível perceber como a gramática intensifica a desigualdade no ramo social. Diante disso, o escritor Marcos Bagno em sua obra “Preconceito Linguístico”, retrata, com maestria, que a ideia de “Certo e errado” para a língua não existe e, dessa forma, esse meio é utilizado como instrumento de distinção. Prova que Carlos está certo é o caso em 2016, no qual um médico zombou nas redes sociais a forma de falar do seu paciente. Assim, é perceptível a falta de empatia entre certas pessoas no Brasil e, também, a persistência de julgamentos bem como na Idade Média.
Portanto, urge que o Ministério da Educação (MEC), por meio da criação de semanas educacionais, instaurará as variações linguísticas brasileiras; nesses dias, a contribuição será diretamente dos discentes e docentes, no qual os alunos – em grupos – apresentarão as variedades culturais das falas do Brasil, para que esses jovens conheçam as mais diversas linguagens e que, futuramente, serão profissionais empáticos que não julgarão as dificuldades e diferenças do próximo; além disso, garantirão um país realmente com direitos plurais.