Preconceito Linguístico
Enviada em 02/07/2019
Assim como afirma Richard Dawkins no livro O Gene Egoísta, os seres humanos se destacam entre os animais devido à sua capacidade de se comunicar por meio de símbolos, isto é, a criação de uma linguagem. No Brasil, por exemplo, apesar da instauração de uma norma culta, existe, devido à diversidade cultural, uma enorme variação linguística. Tal que, por diversos motivos, se torna um alvo de discussões em decorrência do preconceito que a envolve. Cabe, então, analisar as motivações e os impactos desse fenômeno.
Em primeiro lugar, é possível notabilizar os estereótipos criados em torno da norma-padrão. De fato, em nosso país, é muito comum que nos diversos ambientes sociais, como as escolas, exista um preconceito acentuado perante a modalidade oral da língua, quando esta se afasta da normativa. Nesse aspecto, o gramático Evanildo Bechara diz que “um falante deve ser poliglota em seu próprio idioma”. Com efeito, o recrudescimento desse modo de prejulgamento se deve, em destaque, ao fato de que as pessoas desprezam a diversidade.
Por consequência disso, é notável avaliar os efeitos deletérios desse pensamento. Nessa perspectiva, o também linguista Marcos Bagno afirma que o processo de segregação social se torna um panorama de destaque. Uma vez que os grupos pobres são mais afetados por esse contexto, tendo em vista a dificuldade de acesso a uma educação formal de bom nível. Dessa forma, o resultado é o isolamento e a criação de estigmas em relação ao modo de falar.
Portanto, é notável que a análise dessa temática recaia na necessidade de melhorias. Com isso, é possível que o Ministério da Cultura invista na criação de workshops em espaços públicos, com palestras de especialistas e atividades pedagógicas que envolvam o uso variante da língua. Assim, será possível apresentar essa realidade às pessoas, além de apaziguar essa discriminação. Por consequência, poder-se-á promover a criação de novos poliglotas do nosso idioma.