Preconceito Linguístico
Enviada em 02/08/2019
Monteiro Lobato,escritor pré-modernista, em seu conto “O colocador de pronomes” cria um personagem fictício conhecido como Aldovandro,esse homem tinha como premissa de vida falar corretamente,para ele,só devia possuir cidadania aquele que conhecesse a gramática normativa. Fora da ficção,a realidade não é diferente,haja vista o preconceito linguístico existente na sociedade brasileira. Desse modo,o desconhecimento da diacronia da língua em conjunto com uma formação educacional segregacionista catalisa o preconceito e,consequentemente,suas problemáticas.
A priori,avalia-se como a formação cidadã brasileira foi lapidada por um viés de exclusão social,tendo em vista que durante o período colonial tanto indígenas como africanos foram submetidos à um processo de “Europeização” de suas línguas, o que culminou na formação linguística e social do país. No entanto,a língua é diacrônica,ou seja,está em constante devir,mas a sociedade é desconhecedora desse mecanismo e acredita que a gramática normativa,adquira no período colonial,deve ser abordada cotidianamente por todos os civis. A partir disso,pessoas comuns e que estão inseridas em um contexto de desigualdade social ao falarem “nós vai” ao invés de “nós vamos” são excluídas dos círculos sociais. Assim, é reproduzida uma sociedade calcada em estratificações nos diversos âmbitos.
Aliado a isso, a escola - responsável pelo processo de socialização e segunda formação educacional dos indivíduos- também corrobora para a perpetuação do preconceito linguístico,uma vez que os professores utilizam aulas,as quais excluem e julgam os alunos pelo modo de falar ao invés de ensiná-los os mecanismos de adequações da linguagem. De acordo com o professor Marcos Bagno,a língua é um grande devir,essa está submetida à diferenciação de acordo com as variações diafásicas,diastráticas e diatópicas,isto é, de acordo com o ambiente, o grupo social e a região. Logo,os professores deveriam reconhecer e aplicar essas variações nas aulas,pois é de extrema importância inserir as crianças,as quais possuem receio de sua fala, nas atividades e círculos de amizade,de modo a valorizar o papel social da educação e a empatia.
Sendo assim,cabe ao Ministério da Educação introduzir na matéria de português um projeto extracurricular,o qual terá como premissa realizar o estudo das variações linguísticas e sua importância para inserção social. Para isso,será realizado mesas redondas,encenações artísticas e feiras culturais,as quais irão participar família e sociedade, e todos absorverão conhecimento. Ademais, a sociedade civil deverá realizar campanhas por meio das redes sociais com o slogan: “Abandone esse preconceito,venha ser diacrônico”,com o intuito de repassar a mensagem da importância de reconhecer o devir da língua.Depois disso,poder-se-á apagar os Aldovandros persistentes no Brasil.