Preconceito Linguístico

Enviada em 08/07/2019

Jorge Amado, escritor brasileiro, em suas obras buscou representar a vida de classes marginais na Bahia. Em sua obra, capitães de areia, tentou retratar a linguagem dos jovens que viviam na periferia de Ilhéus. Nesse sentido, o preconceito linguístico no Brasil dificulta a compreensão de realidades distintas e aumenta a intolerância.

A princípio, o preconceito linguístico impossibilita o reconhecimento de minorias sociais. Isso porque, no contexto de desigualdade social brasileira, a variabilidade linguística faz-se essencial para o entendimento da construção socioeconômica do país. Por essa lógica, a mensagem torna-se mais relevante do que a estrutura da linguagem por ser meio de denúncia social e objeto de estudo. A exemplo disso, o livro Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, apesar de não seguir corretamente a norma culta, tem exercido função social por denunciar a marginalização de mulheres pobres e negras no Brasil do século XX. Assim, nota-se a necessidade de representar as diferentes linguagens do povo.

Por esse prisma, as diferenças no modo de falar e escrever põe algumas camadas sociais em situação de inferioridade. Esse fato, segundo o linguista Marcos Bagno, é consequência de um padrão de linguagem imposto por uma elite econômica e intelectual que considera errado tudo aquilo que se distancia desse modelo. Sob essa ótica, nas eleições de 2014, moradores do sul e nordeste do país trocaram agressões verbais, sendo que estes foram colocados em situação de inferioridade àqueles devido à sua forma de falar. Dessa maneira, tal problemática aumenta a intolerância e põe em evidência o preconceito linguístico.

Portanto, a intransigência linguística dificulta a aceitação das diferentes formas de comunicação da sociedade. Para reverter isso, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas e a imprensa, criem a campanha “respeitem o nosso jeito de falar”. Com a sua presença, é possível a criação de oficinas nas escolas que debatam sobre as diferenças da linguagem e suas adequações a situações de uso. Associado a isso, para a conscientização de adultos, é necessário que a mídia atue por meio da publicidade, de forma que enfoque os diferentes grupos sociais e suas variações de língua. Dessa forma, por meio da conscientização sobre esse assunto, é imaginável a incitação da criticidade e, por consequência, da empatia como fez Jorge Amado.