Preconceito Linguístico

Enviada em 11/07/2019

Assim como Yuval Harari afirma em Sapiens, ao longo da história, a humanidade desenvolveu unidades simbólicas para armazenar e disseminar conhecimentos. Nesse aspecto, no Brasil, por existir uma enorme diversidade cultural, fica evidente a característica de uma variedade linguística acentuada. No entanto, devido aos estigmas acirrados em torno da norma-padrão, é perceptível a criação de um preconceito fomentado, principalmente, na modalidade oral da língua. Cabe, então, investigar os efeitos individuais e coletivos desse processo.

Em primeiro lugar, é possível analisar os impactos causados sobre o indivíduo. Nesse pensamento, Pierre Bourdieu atesta que as agressões podem transcender os aspectos físicos e materiais, ao se apresentarem de forma moral e psicológica; a violência simbólica, cujo principal resultado é a insulação. Assim, quando discriminados, os agredidos, muitas vezes pertencentes às famílias mais humildes, isto é, com acesso mais restrito à educação, tendem a se isolar. Por consequência, é notável o surgimento de um estigma que relaciona a linguística às condições socioeconômicas.

Nesse sentido, pode-se afirmar que esse preconceito se torna um mecanismo de segregação social. Dessa forma, aqueles que não possuem domínio pleno da norma culta são sempre associados às classes mais pobres e periféricas. A exemplo disso, tem-se as telenovelas, nas quais os personagens advindos do interior, em geral, representados como ignorantes, sempre possuem um vocabulário mais simples. Ademais, a própria literatura nacional, com personagens como Jeca Tatu, apresenta esse estereótipo.

Portanto, é mister que se tomem providências acerca desse panorama. Com isso, é notável que o Ministério da Cultura, em parceria com o terceiro setor educacional, promova a distribuição de materiais didáticos que apresentem melhor os conceitos de variedade linguística em espaços públicos e escolas. Dessa forma, será possível disseminar mais informação às pessoas e estudantes, a fim de derrubar os estigmas vigentes.