Preconceito Linguístico
Enviada em 12/07/2019
Segundo Émile Durkheim, fatos sociais são padrões enraízados pela sociedade os quais possuem um poder de coerção sobre o indivíduo. Nesse aspecto, pressionam as pessoas para que se adequem às regras da sociedade já vigente. Dessa forma, o padrão linguístico é um fato social que coíbe o indivíduo a seguir à risca a norma culta da língua, visto que a fuga desse paradigma é tida como erro gerando exclusão e preconceito.
A princípio, é necessário ressaltar o ensino pragmático e exclusivo da língua portuguesa nas escolas, uma vez que é ensinado apenas a norma culta, desconsiderando as variações que a língua pode ter. Inclusive, o Brasil possui imensa territorialidade, sendo assim possui vários falantes do mesmo idioma. Contudo, bases históricas, geográficas e socioculturais influenciam como esses indivíduos vão falar, bem como é evidenciado pelo professor brasileiro Marcos Bagno, em seu livro Preconceito Linguístico em que aborda os fatores da temática. Nesse ínterim, o atual ensino considera tais variações um erro de linguagem, tornando-a elitista e intolerante.
Por conseguinte, essa abordagem de ensino errônea gera exclusão que por sua vez, se cria uma hierarquização e elitismo do padrão da linguagem colaborando com uma cultura de inferiorização dos indivíduos que fogem desse paradigma. Paralelo a isso, essas pessoas são vítimas de preconceito, transbordando para outros segmentos como o bullying e o regionalismo, ou seja a discriminação da cultura entre regiões, alimentados pelos esteriótipos criados a partir dessa cultura de inferiorização que não é desconstruída pelas escolas levando à perpetuação do problema.
Portanto, é de suma importância a desconstrução do ensino pragmático para a diminuição do impasse. Para isso, o MEC deve inserir a temática na grade curricular obrigatória e em livros didáticos de Língua Portuguesa a fim de garantir a discussão da problemática nas escolas e iniciar a desconstrução a partir de cada pessoa, pois uma das características do fato social de Durkheim é a coletividade do ato. Destarte, é fundamental começar por cada indivíduo, para que a individualidade vire a coletividade.