Preconceito Linguístico
Enviada em 12/07/2019
O preconceito linguístico é a prática da intolerância advinda do desrespeito das diferenças tidas em um mesmo idioma. No Brasil, com o decorrer de seu desenvolvimento desde seu descobrimento, veio regando práticas etnocêntricas, dentre elas, a criação de uma língua padrão e excludente, falada pela elite brasileira. Nesse aspecto, tal padrão foi tido como “certo” na gramática e ensinado nas escolas, tornando o ensino excludente e elitista, uma vez que desconsidera e ataca os variantes que fogem do aceitável, favorecendo a criação de esteriótipos de inferioridade dessa parte da sociedade, que por sua vez, cria a imagem de uma língua abrangente e inclusiva apenas uma utopia.
Em primeiro lugar, é necessário discutir as raízes históricas brasileiras que contribuíram para a formação do preconceito linguístico. No Brasil, desde seu descobrimento etnocêntrico se tem uma hierarquização de culturas, visto que, embora o país tenha uma imensa territorialidade e com isso uma enorme variedade cultural, tem-se uma superiorização dos valores compartilhados pela elite do centro-sul do país. Nesse ínterim, a língua falada nessas regiões começou a ser tida como o padrão aceitável pela gramática da língua portuguesa, desconsiderando a variação linguística tida em outras regiões.
Outrossim, tal visão etnocêntrica que exclui as diferenças da língua falada em diferentes regiões torna a língua excludente e elitista, sendo baseada em outros preconceitos, como o regionalismo. Não obstante, ataca essa parcela da sociedade, que por sua vez é humilhada e inferiorizada por fugir do padrão estabelecido colaborando com a formação de esteriótipos de incapacidade dessas pessoas. A exemplo disso é como Marcos Bagno, em seu livro Preconceito Linguístico, afirma a ridicularização desses indivíduos na mídia brasileira, como em novelas e séries, em que a figura do nordestino é sempre retratada de forma grotesca e atrasada, falando o português “errado”, o que apenas corrobora com a disseminação do preconceito.
Portanto, é imprescindível a discussão da problemática para que paulatinamente tenha-se uma diminuição do impasse. Para isso, o MEC deve garantir de forma plena a inserção da variação e preconceito linguístico na grade curricular obrigatória e em livros didáticos, a fim de iniciar a desconstrução do pensamento intolerante dos alunos desde sua juventude a partir da abordagem do tema em sala de aula. Além disso, o Poder Legislativo agir na criação de leis que proíbem a degradação e ridicularização da variedade linguística na mídia, para que dessa maneira haja a diminuição do preconceito propagado na rede nacional. Destarte, uma língua abrangente e inclusiva deixaria de ser apenas uma utopia e estaria mais próxima da realidade.