Preconceito Linguístico
Enviada em 23/07/2019
Na contemporaneidade, vive-se na era da comunicação. Isso se deve ao advento de tecnologias como o rádio, a televisão e internet. Contudo, tais meios de comunicação ressaltam um tipo de preconceito existente na sociedade, por meio de filmes e novelas com personagens que carregam um certo estereótipo, que é a discriminação pelo modo como a pessoa fala. Sendo assim, o preconceito linguístico ocorre, em grande parte, quando há desvios da norma padrão culta da língua.
Em princípio, nota-se que, na televisão e no cinema, dentre os personagens, há sempre aqueles que fazem parte de uma classe social menor, moram no campo ou vieram de uma região distante, e em suas características está a fala diferente. Sob tal óptica, revela-se a forma da mídia em perpetuar atributos, muitas vezes irreais, a alguns grupos sociais. Visto isso, como as pessoas querem estar na classe social dominante - elite que estudou em boas escolas e sabe a norma padrão culta - então dialetos diferentes são desprezados.
Nesta lógica, de acordo com o pensamento do filósofo Karl Marx, a história da humanidade é a história das lutas de classes. Desta forma, evidencia-se que tal cenário também engloba o âmbito da linguística. Porém, é imperativo pontuar que existe uma distinção entre gramática normativa, o que muitos conhecem como o falar “correto”, e língua, termo mais amplo que inclui diversos dialetos não padrões. Indubitavelmente, a gramática tem sua importância, pois é necessária uma variante oficial para criação de leis e termos científicos, de forma que se deve evitar o máximo de ambiguidade, mas a sociedade emprega demasiado valor a ela e segrega o diferente.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o problema. Logo, cabe ao Ministério da Educação, mediante o implemento no currículo escolar o estudo de dialetos, incentivar os estudos sobre as variantes da língua portuguesa. Não apenas, o Ministério da Cultura, em parceria com órgãos midiáticos, deve criar produções televisivas cujos personagens não são meros estereótipos e representem a vasta cultura linguística do país, com o intuito de conscientizar a população e superar os estigmas antes criados. Só assim, o Brasil poderá superar este preconceito.