Preconceito Linguístico

Enviada em 17/07/2019

Na animação ‘’ Turma da Mônica’’, de Maurício de Sousa, Chico Bento é reconhecido, principalmente, pela sua forma de falar característica de uma pessoa do interior paulista. Nesse contexto, o cartunista explicita a importância de aceitar as diferentes formas de falar um mesmo idioma. Da revista em quadrinhos ao panorama hodierno do Brasil, o preconceito linguístico ainda configura-se como algoz da genuína cidadania, seja pela baixa repercussão midiática, seja pela deficiência educacional.

Convém, a princípio, ressaltar que, ao contrário de outros crimes de ódio como homofobia e racismo, a aversão a outras formas falar é muito pouco discutida. Seguindo essa perspectiva, pode-se afirmar que tal ausência de debates na mídia, faz com que o corpo social volte sua atenção para outros problemas, reduzindo as mobilizações nesse sentido e tornando os meios de comunicação ainda menos interessados no assunto, uma espécie de círculo vicioso. Dessa forma, se o físico Albert Einstein estava certo ao afirmar que na modernidade “é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito’’, tal fator torna essa desintegração ainda mais difícil.

Vale salientar, ainda, que a ‘’ Terra de Palmeiras e Sabiás’’ sempre enfrentou uma grande deficiência na educação pública. Nesse sentindo, as desigualdades sociais se perpetuam ao longo dos anos, prendendo muitas pessoas numa ‘’ bolha social’’, que impede o contato com indivíduos de classes diferentes, separando uma elite que teve acesso a boa formação da grande massa, que foi privada desse direito. Logo, quando, inevitavelmente, um encontro entre esses grupos ocorre, o estranhamento entre ambos os lados é inevitável. Diante disso, fica nítido que o direito constitucional a educação não está sendo cumprido, sinal que coloca a democracia em xeque.

Parafraseando o político Theodore Roosevelt, educar apenas o intelecto é criar ameaças. Partindo dessa égide, é condição ‘’ sine qua non’’ que a mídia, através da representatividade, torne as diferenças na linguagem algo comum para o grande público, pois ao contratar jornalistas, atores e apresentadores com sotaques e jeitos diferentes de se expressar, a sociedade se acostumará a ver formas de falar diferentes e consequentemente, com o passar do tempo, a aceitação em torno dessa temática aumentará. Ademais, é imprescindível que, a longo prazo, o Ministério da Educação, promova através de palestras, aulas e campanhas publicitárias, o real sentido da gramática, pois ao entender que toda forma de falar em correta até certo ponto, indivíduos que tiveram acesso à educação reduzirão sua discriminação. Mediante tais medidas, a linguagem não será fator de segregação de um povo, mas sim de união, como nos ensina o gibi ‘’ Turma da Mônica’’.