Preconceito Linguístico

Enviada em 17/07/2019

Na obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, o personagem Fabiano sofre devido a sua forma de falar, típica de um sertanejo com baixa escolaridade. Do panorama literário a realidade brasileira, percebe-se que o preconceito linguístico ainda atua como algoz da genuína cidadania. Nesse sentido, é válido refletir acerca do porquê dessa continuidade, seja pela desigualdade socioeducacional ou pela baixa repercussão midiática desse problema.

Convém ressaltar, a princípio, que na contramão de outros crimes de ódio, como homofobia e racismo, a aversão a modos diferentes de fala não é muito debatida nos meios de comunicação. Seguindo essa perspectiva, o público se torna cada vez mais afastado da problemática, causando desconforto ao encontrar alguém de uma região ou classe social distante, já que suas formas de se expressar são, inevitavelmente, diferentes. Dessa forma, se o físico Albert Einstein estava certo ao afirmar que ‘’ na modernidade é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito’’, tal fator torna essa desintegração ainda mais difícil.

Vale salientar, ainda, que a história do Brasil é marcada pela exploração portuguesa, escravidão e corrupção, fatores que, dentre outros, geraram um grande desequilíbrio social, refletindo na distribuição da educação. Diante disso, é possível afirmar que tal diferença sempre separou uma elite intelectual, com acesso à universidades e melhores empregos, da grande massa populacional, carente de um ensino público de qualidade, levando a uma maior discriminação linguística. Assim, é nítido que o direito constitucional à educação não está sendo respeitado, o que coloca a democracia em risco.

Parafraseando o político Theodore Roosevelt, educar apenas o intelecto é criar futuras ameaças. Partindo dessa égide, é condição vital, que a mídia, por meio da contratação de atores, jornalistas e apresentadores nos meios de comunicação de massa, evoque o princípio da representatividade, tornando o convívio com outras realidades presente no cotidiano verde e amarelo, o que culminará em maior aceitação por parte da sociedade. Ademais, é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio de palestras, aulas e campanhas publicitárias, chame ainda mais a atenção do jovem para essa questão, formando indivíduos tolerantes, para que, no futuro, essa problemática seja reduzida. Mediante tais medidas, a língua será instrumento de união de uma nação, e não de separação como no caso de Fabiano.