Preconceito Linguístico
Enviada em 05/08/2019
Desde a época da colonização brasileira, a língua já era usada como um mecanismo de dominação. Os Lusitanos, em sua hegemonia, só permitiam que a língua falada ou ensinada aos índios e escravos fosse o linguajar português. Na sociedade contemporânea, as classes mais altas usam a fala e a norma culta como um instrumento de opressão perante as classes mais baixas. Esse sistema, é chamado pelo sociólogo Pierre Bourdieu de capital cultural ou violência simbólica. Nesse contexto, convém analisarmos como a ditadura midiática e a opressão da elite influenciam na problemática em questão.
Primeiramente, podemos observar como a classe alta debocha da classe baixa pelo seu desconhecimento da língua. O filósofo Michael Foucault, em seu livro, “A Microfísica do Poder”, deixa claro, que, quando se humilha um falante, se humilha todo um grupo social. Isso acontece, por exemplo, em casos clínicos, quando um paciente não sabe a pronúncia correta de tal palavra, e acaba sendo alvo de deboche pelo médico, como aconteceu em Serra Negra (SP), segundo notícias do G1. Em consequência disso, as pessoas criam traumas ao falar em público ou diante de profissionais qualificados.
Outrossim, muito desse preconceito surge do pressuposto de que deve haver uma homogeneidade no modo de falar dos cidadãos de um mesmo país. Conforme citou Pierre Bourdieu, em seu livro, “Crítica Social do Julgamento”, a dominação formal de um idioma consiste num princípio de diferenciação quase tão poderoso como o do capital econômico. Um exemplo comum, é quando sulistas ridicularizam o sotaque nordestino, mostrando o poder de um estado sobre outro. De tal modo, a cultura de alguns lugares vão sendo extintas por temor de se expressarem.
Torna-se evidente, portanto, que a questão do preconceito linguístico precisa ser revisado. O Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Cultura, deve implementar nas escolas, palestras que mostrem a diversidade cultural e linguística presente no Brasil, com a finalidade de haver um conhecimento maior e mais reflexivo aos estudantes. Ademais, deve surgir da mídia uma mudança de postura, procurando enaltecer e respeitar as várias culturas existentes no país, para que possa mudar também a consciência do seu telespectador, de modo que não haja deboche e opressão. Dessa maneira, o Brasil poderá alcançar o reconhecimento da sua miscigenação de modo respeitoso.