Preconceito Linguístico

Enviada em 22/07/2019

Na obra ficcional “1984” do escritor George Orwell, é retratada uma sociedade distópica, na qual foi inventada um idioma chamado Novilíngua, com a finalidade de criar uma identidade cultural para a comunidade. Fora da ficção, é possível perceber uma intrínseca relação entre a língua falada e o corpo social no qual se está inserido, o que é demonstrado na obra de Orwell. Por conseguinte, é indubitável que o preconceito linguístico é um problema conspícuo no Brasil, relacionado à identidade linguística de um povo e a discriminação pela diferença. Nessa perspectiva, é impreterível a necessidade de uma intervenção governamental, com o fito de mitigar essa infeliz realidade, minimizando o preconceito pelas variações regionais e sociais.

A princípio, ressalta-se que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil é uma país miscigenado, no qual suas origens descendem de diferentes povos. Desse modo, a língua oficial brasileira, o português, sofreu muitas influências ao longo do tempo, tendo em sua constituição, palavras de origem indígena, africana e europeia. Além disso, o português também passa por variações de acordo com a região brasileira e seu contexto sociocultural, fazendo com que pessoas do mesmo estado, tenham diferentes maneiras de se expressar pelo idioma, algo que infelizmente gera preconceitos, sendo esses discriminados por grupos que se consideram superiores.

Outrossim, na obra “Vidas Secas”, do escritor brasileiro Graciliano Ramos, é retratada uma sociedade naturalmente nordestina, marcada pelas características típicas do sertão brasileiro, incluindo suas variações linguísticas. A obra mostra como o idioma brasileiro pode variar de acordo com a região e seu contexto social, em que comunidades mais simplistas e de classe social mais baixa, utilizam o idioma com características marcantes daquele povo. Destarte, conclui-se que a língua é um reflexo direto de uma população, sofrendo influências internas e externas que colaboram com a formação de uma identidade cultural que deve ser respeitada.

Infere-se, portanto, a premência de buscar soluções viáveis para essa problemática. Para isso, é de suma importância que o Governo Federal, em parceria com empresas privadas, busque desenvolver um projeto educacional nas escolas públicas e privadas, por meio da elaboração de palestras e aulas didáticas sobre variação linguística e miscigenação, com o intuito de formar cidadãos que valorizem a diferença linguística sem disseminarem preconceito na sociedade. Dessa forma, o brasileiro estará colaborando para a formação d      e uma identidade cultural nacional, semelhante ao representado na obra ficcional de Orwell.