Preconceito Linguístico

Enviada em 08/08/2019

No cenário contemporâneo, é visualizado grandes ramificações de uma mesma língua, diferenças linguísticas entre falantes de classes sociais e regiões distantes, como já dizia o filósofo Bechara: " o falante precisa ser poliglota na sua própria língua." Nesse contexto, observa-se que não existe o certo e errado na língua e que o preconceito é algo existente entre pessoas ignorantes, disseminado dentro das instituições de ensino, além da grande influência da sociedade na discriminação linguística.

Deve-se salientar que as instituições de ensino não trabalham para levar o conhecimento de variação linguística aos seus alunos e isso acaba gerando uma discriminação entre os diferentes modos da língua. Ademais, pesquisas feitas pela universidade Nacional de Brasília, evidenciam que menos de 5% do conteúdo de livros didáticos falam sobre variação linguística, ou seja uma porcentagem muito pequena para a grande diversidade da língua portuguesa. Em consequência, forma-se pessoas ignorantes para o mercado de trabalho e o desconhecimento é a entrada para vários preconceitos.

Em decorrência disso, a sociedade também se torna uma disseminadora do preconceito linguístico, pois ela têm grande influência no modo e comportamento das pessoas. Além disso, a sociedade segmenta classes sociais e geralmente as pessoas de melhores condições econômicas e com mais anos de estudos, são vistas como falantes da língua “correta”, contudo, isso acaba gerando preconceitos dentro do corpo social. Conforme o livro vidas secas de Graciliano Ramos, o autor retrata esse preconceito entre as classes sociais gerado pela sociedade, no encontro de Fabiano e o Soldado Amarelo, Fabiano prefere ficar calado, pois sua forma de falar entrega sua condição social. Assim, deve-se diminuir a intolerância entre as pessoas de uma sociedade e diferentes classes sociais.

Dessarte, é mister soluções para acabar com o preconceito linguístico gerado pela ignorância da população. Logo, o Ministério da Educação deve introduzir uma disciplina nas escolas e faculdades, sobre as variações linguísticas dentro da língua portuguesa, por meio de profissionais capacitados e especializados nessa área, afinal, de acordo com o artigo sexto da Constituição brasileira todos têm o direito à educação de qualidade, com visto a diminuir a discriminação linguística dentro das instituições. Outrossim, o Estado deve planejar projetos dentro da sociedade, mediante a palestras e distribuições de livros, a fim de minimizar o preconceito dentro da comunidade e acabar com as várias formas de intolerância.