Preconceito Linguístico

Enviada em 07/08/2019

Promulgada pela Organização das Nações Unidas, em meados do século XX, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o acesso à educação e ao bem-estar social. Conquanto, a incidência de preconceito linguístico no Brasil impossibilita que uma parcela importante da população desfrute desses direitos universais na prática. Nessa perspectiva, a desigualdade educacional existente no país, associada às linguagens específicas usadas em ambientes inadequados, são fatores que influenciam em tal problemática.

Em primeira análise, a educação é o principal agente no desenvolvimento de uma nação. Atualmente, ocupando a nona posição na economia mundial, segundo dados do IBGE, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto, e o resultado desse contraste é, claramente, refletido na grande exclusão social de pessoas que têm acesso à ele de forma rasa e básica. Um exemplo disso, foi o caso ocorrido em 2018, quando o médico plantonista, Guilherme Capel, debochou de um paciente por ele ter escrito “Peleumonia” e “Raôxis”, demonstrando a falta de consideração com a linguagem do próximo. Isso é algo inadmissível em uma sociedade democrática, portanto, urgem correções.

Concomitantemente, tem-se o jargão, linguagem específica de certas profissões, como impulsionador do problema. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Nesse contexto, essas linguagens, especificadas pela classe erudita, acabam fazendo com que o diálogo, muitas vezes, se torne problemático para os indivíduos que sabem utilizar apenas a coloquialidade, isolando-os. Nesse sentido, indubitavelmente, medidas são necessárias para solucionar esse impasse.

Diante dos argumentos supracitados, cabe ao Ministério da Educação informar a população, de forma mais eficiente, das consequências do preconceito contra a linguagem alheia, por meio de palestras socioeducativas, realizadas em instituições de ensino público e privado, além de empresas, para limitar o uso dos jargões a ambientes apropriados, visando à ressocialização dos indivíduos atualmente excluídos. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhoria significativa nas condições educacionais e sociais do Brasil.