Preconceito Linguístico

Enviada em 07/08/2019

Na obra “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, o autor Marcos Bagno aborda sobre os diversos aspectos da língua, bem como o preconceito linguístico e suas implicações sociais. Nesse contexto, o respeito perante a influência da pluralidade linguística e seu universalismo é um discurso amplamente relevante, uma vez que homogeneizar a linguagem abre espaço para a exclusão social.                                             A priori, a afirmação “tenho-me esforçado por não rir das ações humanas, por não deplorá-las nem odiá-las, mas por entende-las” do filósofo Spinoza, reconhece a verdadeira multiplicidade dos dialetos e sotaques falados no Brasil, sem julgamentos e estereótipos. Nesse ínterim, compreende-se que o respeito e o entendimento frente às diferenças são primordiais para a harmonia da sociedade. Logo, a linguagem deve ser um agente agregador, o qual une pessoas e suas culturas, expandindo e valorizando as riquezas dialéticas do país.                                                     Sob esse viés, percebe-se que fatores geográficos, socioeconômicos e o tempo induzem a variedade da língua. Nessa conjuntura, aprender o português não implica apenas em instruir-se das apertadas regras do dialeto padrão, é como aprender a se vestir bem de acordo com a ocasião, sendo assim, convém conhecer diferentes roupas e combinações. Analogamente, o português que usamos é como a roupa que temos no corpo, a qual não é sempre a mesma, varia com o tempo, com seu estilo e localidade. Afinal, a vida seria tão mais cinzenta se nos vestíssemos todos iguais.                                                                                                                  Destarte, faz-se imprescindível o investimento na capacitação de professores por meio de cursos técnicos ou pós-graduação gratuitos, oferecidos através de parcerias entre MEC e universidades, a fim de habilitá-los a compreender e reconhecer o valor da variação linguística para que formem cidadãos capazes de usar a língua com flexibilidade. Assim, a mutilação cultural será amenizada e a população poderá expressar sua voz sem medo de ser estereotipada e alvo de preconceito.