Preconceito Linguístico
Enviada em 28/10/2019
Na Grécia Antiga, o termo “bárbaro” era utilizado para denominar os indivíduos que não falavam a mesma língua que os gregos, e por isso eram considerados inferiores e sem cultura. Atualmente, após séculos da Idade Antiga, essa discriminação com falas distintas perpetua nas sociedades, sobretudo no Brasil, onde encontra-se variedades linguísticas. Nesse viés, não somente o esteriótipo, mas também o bullying linguístico configuram-se como desafios para resolver esse problema.
À luz de Immanuel Kant, filósofo prussiano, “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Sob essa ótica, analisa-se que a educação exerce um importante papel no modo de se comunicar e expressar do indivíduo.Contudo, nota-se que nas escolas são priorizados apenas o ensino da norma culta, e negligência as variedades da língua portuguesa. Com isso, criou-se um esteriótipo da língua, ou seja, as pessoas que dominam esse padrão são consideradas corretas e, por outro lado,quem não se enquadra é tido como ignorante. Entretanto, tal associação acentua a desigualdade social, visto que quem utiliza essa norma tem o maior prestígio social.
Além dessa questão, no período Colonial, o navegador Pero de Magalhães, após visitar o Brasil,escreveu uma carta para Portugal descrevendo que o vocabulário dos índios carecia de três letras: f,l e r, logo os nativos não possuíam fé, lei e rei. Nos dias atuais, essa discriminação da língua continua presente no Brasil, apresentada muitas vezes com o bullying. Como exemplo disso, consoante o G1, em 2016, um médico de São Paulo publicou uma foto em sua rede social zombando da maneira de falar de um paciente, com a seguinte legenda “Não existe peleumonia”.
Diante dos fatos mencionados, cabe ao Ministério da Educação, em consonância com o Ministério da Cultura, investirem em projetos nas escolas que visem ampliar o conhecimento linguístico dos alunos, por meio de inserção de aulas de diversidade da língua portuguesa e feiras culturais nas instituições de ensino no período de uma vez por mês, a fim de quebrar os esteriótipos da língua e desmitificar o conceito de certo e errado. Ademais, cabe ao Poder Legislativo implementar medidas que criminalize o bullying linguístico, por intermédio de criação de leis que torne crime os zombamentos e discriminação do modo de fala e escrita, com o fito de não perpetuar os preconceitos oriundos da Grécia Antiga.