Preconceito Linguístico
Enviada em 12/08/2019
Ao chegar ao Brasil, os portugueses se deparam com a cultura indígena, a qual diferia muito da vigente em Portugal. Esse choque cultural ocasionou o estranhamento entre colonos e nativos; tal fato é retratado na carta escrita por Pero Vaz de Caminha, a qual descrevia os índios segundo a visão eurocêntrica da metrópole, a fim de transmitir à Coroa Lusitana informações acerca do Novo Mundo. Devido a colonização portuguesa, hoje o território brasileiro é considerado miscigenado, ou seja, possui multiculturalismos, no entanto, o preconceito linguístico, herdado dos lusitanos, ainda ocorre no país.
A priori, cabe ressaltar que a diferença de costumes entre povos é um dos fatores que corroboram para a discriminação linguística. Isso ocorre devido à crença de determinados grupos em sua supremacia cultural em relação a outros; a legitimação para esse pensamento baseia-se no ideal de hábitos considerados corretos. Nesse sentido, Rosseau afirma que o homem nasce livre, mas por todas as partes encontra-se preso. Desse modo, consoante ao pensamento do filósofo suíço, percebe-se que tais indivíduos, que adotam esse viés totalitarista, são presos em seus respectivos preconceitos e intolerâncias; essas, por sua vez, disfarçam-se de comentários maldosos e piadas sobre a variação na linguagem de outras pessoas.
Outrossim, as diferenças na sociedade também possuem papel fundamental nessa intolerância. Nessa perspectiva, sabe-se que o vocabulário de um indivíduo é determinado pelo meio social no qual vive. Entretanto, as discrepâncias socioculturais e econômicas entre classes ocasiona o pré conceito linguístico, o qual fundamenta-se no uso padrão da gramática normal culta. Tal comportamento é adotado, em sua maioria, por pessoas com maior poder aquisitivo, as quais condenam o uso da linguagem popular; para esses indivíduos o uso de marcas típicas da oralidade, tais como gíria e abreviações, é considerado inadequado e de menor prestígio. Como resultado, os que assumem tal postura, negligenciam, no que tange às camadas populares, o direito à liberdade de expressão manifesto na Constituição de 1988.
Destarte, visto que o preconceito linguístico é um problema de ordens social e cultural, urge, em primeira instância, que o Ministério da Cultura empregue medidas que reafirmem a importância da multiculturalidade brasileira, por meio de propagandas midiáticas, a fim de corroborar para o fim da discriminação na linguagem. Ademais, é necessário, em segunda instância, que cada cidadão respeite a variação linguística de outros indivíduos, por meio do uso da ética utilitarista, com o fito de promover a inclusão e o bem estar de todos na sociedade. Dessa forma, o preconceito herdado dos lusitanos não atingirá as sucessões futuras no Brasil, visto que o mesmo será inexistente no país.