Preconceito Linguístico

Enviada em 13/08/2019

As raízes de uma árvore podre

No livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, o autor destaca a formação cultural e linguística do país como resultado da dominação dos europeus sobre os nativos e africanos. Dessa maneira, o português -idioma trazido pelos colonizadores- foi tido como correto no ideário popular, o que acarretou a inaceitável segregação das demais línguas. Diante dessa perspectiva, é possível analisar a manutenção do preconceito linguístico no Brasil, além da primazia dos sotaques de áreas economicamente mais bem-sucedidas.

Nesse contexto, segundo o sociólogo do século XIX Max Weber, a dominação tradicional ocorre quando um grupo social recebe privilégios por ocupar determinada posição social. Desse modo, observa-se o privilégio do dialeto da região sudeste do Brasil devido ao maior desenvolvimento econômico, o que resulta na intensificação da segregação socioespacial entre as outras regiões do país. Por conseguinte, a desconcentração econômica gera profundas marcas de desigualdade e preconceito na sociedade brasileira.

Além disso, na obra pré-modernista O triste fim de Policarpo Quaresma -de Lima Barreto-, o personagem principal do livro propõe a retomada da língua tupi guarani em detrimento do português, para que fosse possível integrar todo território brasileiro, porém tal ideologia é combatida pelo Governo. Com isso, identifica-se a intolerância governamental em relação a integração nacional por meio da fala, visto que o preconceito linguístico marca as relações sociais e exclui a população que não se adéqua ao padrão de fala definido pelas elites. Logo, é possível destacar a continuidade da discriminação dialética, devido a falta do combate do governo a essas práticas.

Destarte, medidas públicas são necessárias para findar a exclusão social no Brasil dada pela marginalização dos dialetos. Portanto, cabe ao Ministério Público a criação de leis que considerem crime o preconceito linguístico, por meio da implementação de projetos de lei por parte do Legislativo, para que assim seja possível condenar tal prática. Ademais, compete ao Ministério da Cultura a promoção da integração cultural e linguística do país, por intermédio da realização de eventos teatrais e cinematográficos que versem sobre as questões da fala, no intuito de gerar a compreensão da diversidade cultural existente na nação. A partir dessas atitudes, será possível integrar as diversidades linguísticas da população brasileira e assim, quebrar a hierarquização da fala trazida por Sérgio Buarque de Holanda em seu livro.