Preconceito Linguístico
Enviada em 25/09/2019
Em 2016, o médico Guilherme Capel aqueceu os debates sobre preconceito linguístico em todo o país ao ridicularizar um paciente que havia cometido desvios gramaticais. Não apenas em consultórios, porém, que o problema está presente, o dia a dia do brasileiro está repleto de escárnios relacionados a linguagem. Essa intolerância advém de preconceitos sociais enraizados na mentalidade social e, também, como uma forma de dominação. Dessa forma, tais fatores devem ser analisados a fim de liquidar esse tipo de discriminação.
Em primeiro plano, é preciso analisar a ligação entre preconceito linguístico e os demais preconceitos existentes na sociedade. A discriminação, geralmente, é direcionada àqueles grupos já marginalizados e inferiorizados devido à sua bagagem cultural. Como é visto com o sotaque e as gírias de nordestinos que sempre são vistos e retratados como menos dignos de respeito, na mesma medida em que são sempre ligados a baixa escolaridade, reforçando os preconceitos já existentes a essa região. Enquanto o falar daqueles que estão em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo - centros, historicamente, econômicos e políticos - são encarados como a forma correta de usar a língua.
Ademais, vê-se que a língua pode ser usada como forma de imposição de poder. De acordo com Michel Foucault, na obra Microfísica do Poder, a sociedade moderna possui diversos instrumentos para a instauração do poder. É visto, então, que a língua é um deles. Como foi visto durante a colonização brasileira, por exemplo, em que portugueses reprimiam as línguas indígenas e africanas para consolidar a hegemonia lusitana.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, emissoras de televisão e empresas produtoras de filmes devem trabalhar em prol da diminuição dos preconceitos já existentes, criando personagens de grupos marginalizados que fogem dos estereótipos, para que se diminua as discriminações sociais e se quebre a ligação entre elas e o falar dessas pessoas.