Preconceito Linguístico

Enviada em 18/08/2019

Segundo o sociólogo Emile Durkheim, a sociedade é comparada a um organismo, onde a saúde do todo depende do bom funcionamento das partes. Nesse contexto, a moléstia que afeta o território brasileiro não é um problema atual e encontra-se direcionado ao preconceito linguístico, seja pela extensão territorial, ora pela desigualdade socioeconômica, ampliando a exclusão social. Portanto, a imensa pluralidade do país deve ser posta em vigor, a fim de ser compreendida e respeitada.

Em primeiro plano, torna-se evidente que o Brasil é um país diversificado. Isso porque, em 1500, o processo de colonização, envolveu indígenas, africanos e europeus, já havendo conflitos e sobreposições culturais, tais como a catequese. Dessa forma, traços regionalistas distintos deram forma ao mosaico brasileiro, repercutindo, hoje, em ações que acarretam o contínuo preconceito acerca das variações inerentes à língua. Assim, cria-se uma sociedade estereotipada em relação à gramática normativa, sem levar em consideração o contexto social, histórico e regional da população.

Sob um segundo enfoque, é válido ressaltar que o preconceito linguístico está relacionado às classes sociais. Nessa lógica, o dialeto das pessoas que habitam regiões interioranas é alvo de piada por parte dos indivíduos das grandes cidades. Além disso, o português ensinado nas escolas é usado como ferramenta de dominação, visto que é rotulado pelo que é correto e formal. De acordo com o linguista Marcos Bagno, não existe uma forma certa ou errada de escrever ou de se expressar, pois a língua está totalmente ligada à estrutura e aos valores da sociedade.