Preconceito Linguístico

Enviada em 26/08/2019

Segundo o filólogo brasileiro Marcos Bagno, a gramática normativa é como a água do Igapó, que envelhece, não gera vida nova a não ser que venham as inundações. Nesse sentido, o preconceito linguístico é uma ferramenta de segregação social, visto que a utilização de dialetos não é notável na gramática normativa das escolas, assim como, os veículos de mídia e entretenimento que contribuem para esse impasse. Sendo assim, uma problemática vigente no Brasil que precisa ser combatida.

Nesse viés, ao analisar a historicidade, com a chegada dos portugueses ao Brasil, os índios tinham que se adaptar a linguística portuguesa, pois particularmente era considerada ideal e impossibilitando uma comutação de conhecimento. Apesar disso, na contemporaneidade, esse obstáculo é vigente na sociedade, uma vez que nas escolas, por exemplo, é considerada a norma padrão e culta, sobretudo, dificultando a entrada de dialetos e complexificando o reparte dos alunos, sendo incapacitados de se expressarem. Todavia, o ato de julgar a forma de falar dos indivíduos vai contra os princípios Constitucionais a respeito da liberdade de expressão. Do mesmo modo, é fundamental trabalhar essas questões nas escolas sem que haja a discriminação dos indivíduos.

Concomitantemente,  o desenvolvimento tecnológico possibilitou uma nova forma de exprimir-se. No entanto, o preconceito linguístico é, infelizmente,  presente nos temas que abordam as novelas e filmes, no qual nordestinos são retratados com atitudes hostis como forma de provocar risos nos espectadores. Consequentemente, a mídia têm papel fundamental na formação dos indivíduos e a utilização contraproducente contribui ainda mais para essa desunião. Isso, consoante ao pensamento do pedagogo Paulo Freire, é fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma a tua fala seja tua prática. Em virtude disso, é importante que a mídia e a sociedade compreenda que cada individuo possui modos de falar e se expressar.

Portanto, percebe-se que é de suma importância superar esse impasse. Para tanto, o Ministério da Educação (MEC), deverá promover projetos educacionais voltadas para a diminuição dos prejulgamentos em relação a língua portuguesa, por meio de livros didáticos e palestras, com o intuito de abordar nas aulas de português todas as variantes linguísticas, assim como a entrada de dialetos, para que todos os alunos não se se sintam coagidos. Além disso, é imperativo que a mídia não se limite aos estereótipos cômicos em relação aos personagens nordestinos, com o fito de garantir a pluralidade e desconstruir o preconceito linguístico. Para assim, a sociedade brasileira não se torne um rio Igapó, tornando-se um país com multiplicidade linguística.