Preconceito Linguístico
Enviada em 27/08/2019
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o preconceito linguístico no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada a realidade do país. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as principais causas do problema. Em primeiro lugar convém analisar a importância do campo linguístico, a fim de que se perceba as incoerências e mazelas de exclusão. De acordo com o psicólogo e pesquisador Vygotsty, a linguagem é o fator que concede ao homem a possibilidade de compreender e interpretar o mundo ao seu redor. Nessa perspectiva, privar indivíduos de expressões pessoal, baseado somente em uma visão purista da língua, é lhe cecear a criticidade e a própria manifestação de suas particularidades.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o caráter cultura do falar, sobre o qual há desconhecimento e pouco interesse, elementos que fomentam as atitudes discriminatórias. Consoante ao filósofo e linguista Saussure, a fala não pode ser entendida como estática e única, uma vez que é um ente vivo, transformado constantemente pelas interações sociais. Nesse ínterim, a esfera de valores e formações distintas peculiares ao Brasil tona, também, nossa língua móbil e diversa, condição enriquecedora, que oposto ao que se vê hodiernamente, deve ser valorizada.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Para que isso ocorra, as universidades e escolas, enquanto formadoras cidadãs, devem promover e expandir tais discussões. Para tanto, devem ser realizados no currículo da disciplina de Língua Portuguesa, planejamentos voltados ao estudo mais aprofundado da variabilidade linguística. Como já foi dito pelo pedagogo Paulo Freire, “a educação transforma as pessoas e essas mudam o mundo”. Ademais, na seara social, a Antropologia pode colaborar com explicações e debates acerca da notável formação cultura brasileira e a importância de suas variantes para nossa identidade. Nesse ínterim, podem ser realizadas oficinas de leitura e encenação de manifestações artísticas regionais que demostrem o valor do diferente, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na caverna de Platão.