Preconceito Linguístico

Enviada em 31/08/2019

Ao longo da história brasileira, a formação cultural do país surgiu de uma forte miscigenação entre os povos indígenas, africanos e europeus, o que formou diversos aspectos característicos da nação, como o dialeto falado. Entretanto, devido ao modo de expressão de cada região ser muito particular, as demais localidades julgam, de acordo com uma visão egocêntrica, o falar alheio como “errado”, levantando-se o debate sobre o preconceito linguístico no país. Logo, este problema é persistente na sociedade brasileira por inúmeros motivos, seja pela falta de atenção governamental ao longo da história, seja pelo desrespeito que a mídia possui em relação ao modo de expressão de certas regiões.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a inércia governamental contribui para a não modificação e a perpetuação desse panorama opressivo. Sob essa premissa, ações como a do presidente Getúlio Vargas e de alguns presidentes militares, responsáveis por proibirem diversas línguas em favor do português, ratificam a irresponsabilidade política frente ao multiculturalismo nacional. Nesse sentido, esta prática é um dos modos de dominação do indivíduo, fato relatado pelo filósofo Michel Foucault na obra “Microfísica do poder”, produção à qual retrata os diferentes modos de repressão sobre o povo, em que a língua é uma delas. Logo, essa desatenção do Estado, presente até hoje, desrespeita a constituição cidadã de 1988, que visa a defesa do pluralismo social.

Outrossim, os veículos midiáticos possuem grande poder nas relações sociais, e por isso, comerciais ironizando o modo de falar, principalmente de nortistas e nordestinos, são fatores que contribuem para a implicância em relação à língua. Na obra “preconceito linguístico”, o escritor brasileiro Marcos Bagner  revela em sua tese que o preconceito é uma crença pessoal, uma postura individual na frente dos outros. Seguindo essa linha de raciocínio, pode-se dizer que a mídia potencializa preconceitos intrínseco nas pessoas, pois, comerciais com tons jocosos sobre o dialeto de certas regiões, manipula a opinião da massa, pois, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, os suportes de propaganda são grandes influenciadores da população. Portando, algo precisa se feito para resolver o impasse

Então, algo precisa ser feito para mitigar a questão. Por isso, o Ministério Da Educação (MEC), deve formar profissionais capacitados pelas universidades para trabalhar o multiculturalismo dentro da sala de aula, por meio de debates e palestras, com o objetivo de desenvolver cidadãos mais conhecedores das diversidades presentes no pais. Nesse sentido, o fito de tal ação é apresentar uma sociedade que respeite os diferentes falares da língua portuguesa nas mais diversas regiões brasileiras. Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado, pois, conforme Gabriel o Pensador, “na mudança do presente a gente molda o futuro”.