Preconceito Linguístico
Enviada em 04/09/2019
De acordo com Marcos Bagno, linguista brasileiro do século XXI, não há maneira certa ou errada de se comunicar. Nesse sentido, o preconceito linguístico no Brasil fere não somente preceitos culturais e sociais, mas também constitucionais estabelecidos pelo Artigo 3 da Constituição de 1988, que garante igualdade de todos, independentemente de raça, cor, etnia, gênero e região. Dessa forma, observa-se que a liberdade linguística nacional reflete um cenário desafiador seja pela extensão cultural brasileira, seja pelas várias formas de expressão do país.
Mormente, o Brasil é considerado um país miscigenado e de cultura ampla. Devido a isso, não é raro encontrar, dentro da sociedade brasileira, diversas manifestações linguísticas. As variantes faladas no Nordeste, por exemplo, divergem das faladas no Sul, contribuindo para a riqueza de um idioma. No entanto, há resistência de parte da população em aceitá-las, refletida na criação de um estereótipo de nordestino analfabeto e inferior, cuja fala é considerada errada e, por isso, é tido como incapaz. Desse modo, com o intuito de atenuar atos contrários as expressões linguísticas regionais, cabe ao Governo, na figura do Ministério da Educação, a implementação de palestras nas escolas sobre diversidade cul-tural, social e suas variações linguísticas, conscientizando assim os alunos diante de tal problemática.
Ademais, a estereotipação que produz o preconceito linguístico se estende a quem possui baixa escolaridade. A crise educacional brasileira não é mistério, por isso há indivíduos que têm dificuldade de acesso às escolas. Essa deficiência educacional é utilizada muitas vezes por outros cidadãos e pela mídia para criar um imaginário de fala errada e fala de quem é pobre. À vista de tal preceito, a intolerância linguística configura-se uma chaga social que demanda imediata resolução, pois fere a livre expressão da língua portuguesa. Destarte, cabe ao Estado, como gestor dos interesses coletivos e sociais, a implementação de delegacias especializadas no combate ao sentimento desrespeitoso e , até mesmo violento, às renovações linguísticas.
Portanto, para evitar maiores danos à liberdade de fala dos brasileiros, medidas precisam ser tomadas. Nesse sentido, torna-se imperativo que o Estado, na figura do Poder Legislativo, desenvolva leis de tipificação como crime hediondo aos atos violentos e atentados as variações da língua, quem vise diminuir a hostilidade linguística na extensão territorial brasileira. Ademais, urge que a mídia, por meio de novelas e seriados, transmita e propague a diversidade linguística, com propósito de conscientizar sobre as várias formas de expressão da língua portuguesa. Só assim, poder-se-á respeitar a liberdade e combater o preconceito linguístico no Brasil, pois como proferiu Marcos Bagno, não há maneira certa ou errada de se comunicar.