Preconceito Linguístico

Enviada em 31/08/2019

O Mito da Caverna, de Platão, narra uma metáfora em que alguns homens estavam presos em uma caverna, na qual acreditavam que as sombras projetadas aos seus olhos eram a única fonte de verdade. Assim, a existência desses homens era totalmente dominada pela ignorância. Hodiernamente, a sociedade não se distancia dessa alegoria, uma vez que existe a permanência do preconceito linguístico no cenário brasileiro.

A priori, é possível apontar a herança histórica como principal causa do preconceito linguístico. Prova disso é que desde o início da colonização do território brasileiro existia o sentimento etnocêntrico- que considerava a cultura europeia superior- materializado na tentativa por parte dos portugueses de impor mudanças na cultura indígena. Tal fenômeno, denominado pela sociologia de Aculturação, é percebido atualmente em atitudes discriminatórias em relação às variantes linguísticas, sejam históricas, regionais ou socioculturais, e representam um retrocesso.

Por conseguinte, a persistência desse cenário origina vários problemas para a sociedade. Nesse cenário, é possível perceber no ambiente das redes sociais a existência de práticas discriminatórias, que envolvem discursos de ódio em relação às variações na língua que não se encaixam na norma culta da língua portuguesa. Com isso, os indivíduos discriminados podem ser marginalizados nas relações sociais, tendo em vista que muitas vezes se sentem constrangidos durante uma conversa. Todavia, o objetivo primordial da fala, que é a comunicação, não deve ser suprimido em virtude de conceitos pré estabelecidos.

Portanto, é necessário romper com o estado de ignorância presente na Alegoria de Platão. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve abordar o assunto com os alunos por meio de palestras lúdicas, apresentando curiosidades sobre expressões regionais existentes em cada estado do país, por exemplo. Assim, o aluno poderá ter contato com a diversidade desde o ensino fundamental, a fim de entender a importância e respeitar as variantes linguísticas, seja em um ambiente físico ou virtual.