Preconceito Linguístico
Enviada em 02/09/2019
A Constituição Federal Brasileira, promulgada em 1988 pela Assembleia Nacional Constituinte, estabelece que nenhum cidadão poderá receber tratamento desumano ou degradante. Entretanto, o preconceito linguístico praticado por muitos na sociedade brasileira, figurando como tortura moral, vai de encontro a esses ideais. Dessa forma, é valido analisar a incoerência dessa discriminação, bem como sua consequência para a população.
Vale pontuar, de início, que o preconceito linguístico é incondizente com a história da língua lusitana. Isso porque o português advém do latim vulgar, que é uma modalidade mais popular do idioma matriz. Dessa forma, negar as variações linguísticas do idioma é uma tentativa frustada de anular o seguinte fato: A língua é passível de mudanças, bem como os seus falantes, os quais possuem características próprias e bagagem cultural variante de acordo com sua cultura. Diante disso, fica evidente a inconsistência do preconceito e a necessidade de políticas que erradiquem esse problema.
Além disso, é necessário destacar os efeitos dessa problemática. É fato que a concretização da norma culta como única e correta contribui para a manutenção da segregação social, visto que os sujeitos com maior escolaridade e maior poder aquisitivo se sobressaem em detrimento daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades. Segundo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras, os falantes devem ser poliglotas em sua própria língua, ou seja, conseguir se adaptar às diversas situações de fala. Dessa forma, ficam claros os erros das gestões públicas em relação às questões educacionais.
Entende-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de um mundo melhor. Destarte, o Ministérios da Educação deve, através de palestras obrigatórias na grade curricular, alertar para a necessidade da mudança no pensamento dos falantes da língua portuguesa desde as camadas básicas da educação. Essas palestras contarão com a presença de professores célebres que ajudarão na difusão do pensamento e na divulgação dos eventos. Espera-se que, através da conscientização coletiva, os efeitos do preconceito linguístico no Brasil sejam amenizados.