Preconceito Linguístico
Enviada em 02/09/2019
Com a chegada dos portugueses ao Brasil, ocorreu a propagação de missões “civilizatórias”. Diante dessa movimentação colonizadora, vários aspectos culturais indígenas — principalmente no que se diz à língua — foram inferiorizados com a finalidade de impor o modo de vida europeu. Entretanto, na atualidade, os brasileiros ainda apresentam traços desse comportamento colonial, principalmente na forma de indiferença no que tange a linguagem. Portanto, é necessário discutir formas de atualizar o modelo de ensino para solucionar esse problema que causa discriminação entre os falantes.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar pontos que apresentam como o problema de ordem social é um reflexo do ambiente escolar. Principalmente, visto que a escola é um dos locais iniciais de contato com o português, mas não é a língua em seus aspectos culturais que é apresentada, e sim uma vertente entre muitas que se torna privilegiada — a forma chamada culta. Logo, outros modos de expressão acabam se apresentando como dialetos — como se não integrassem o português —tal qual o pensamento do linguista Marcos Bagno, na qual esta barreira mais tarde reverbera, criando indivíduos adultos que polarizam o discurso em certo e errado, o que provoca não só a limitação da vasta gama de possibilidades que o idioma proporciona, como também incita o preconceito e exclusão social com falantes que não seguem a gramática normativa.
Além disso, o preconceito linguístico levanta barreiras de oportunidades entre os indivíduos, o que intensifica desigualdades pré-existentes. Segundo o sociólogo Emile Durkheim nem sempre uma tentativa de manter a sociedade coesa é benéfica ao cidadão, pois esse muitas vezes tem que mudar o seu comportamento para se encaixar na maioria. No entanto, neste ponto surge a aplicação na qual as relações de poder influenciam o resultado dessa análise, já que a escolaridade e um aprendizado que ensine ao estudante a adaptar-se a forma de expressão que a situação solicita deve ser de amplo acesso, para que oportunidades, principalmente de empregos melhores, não sejam tão voltados às elites.
Logo, fica claro que a língua é um fator decisivo na exclusão social, sendo necessária a atuação do governo para mudar o quadro atual. Portanto, o Ministério da educação, conjuntamente com as escolas (pois, são setores responsáveis pelo ensino brasileiro), façam por intermédio de reformas na educação a diversificação do conteúdo programático do fundamental e médio que visem o ensino de outros modos de expressão, com a finalidade de criar adultos mais conscientes da pluralidade linguística. Para que assim se dê fim as missões civilizatórias e comece algo no Brasil que promova a integração.