Preconceito Linguístico
Enviada em 04/09/2019
Nas escolas de todo o Brasil, é comum que professores trabalhem com livros clássicos para o aprendizado, como os de Monteiro Lobato. Tais livros, no entanto, demonstram que o preconceito linguístico enraizado no país, seja pela falta de credibilidade que deixa àqueles que não falam de modo culto, seja pelo constrangimento de um determinado grupo social, continua existindo sem questionamento.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que como afirma o doutor brasileiro em linguística Marcos Bagno, “não existe uma língua certa ou errada, existem maneiras adequadas ou não de falar dependendo do contexto”, porém, em nossa sociedade, é comum ridicularizar aqueles que não falam ou escrevem de forma homogênea como a maioria. Um exemplo, dentro da literatura de Lovato, é comparar a credibilidade que as histórias de Dona Benta e da empregada Anastasia possuem dentro do livro. Enquanto a senhora é escutada com atenção e admiração, a negra e empregada é vista como motivo de piada.
Paralelo a isso, quando o preconceito linguístico acontece, faz com que a vítima se sinta constrangida e, portanto, limitada. O filósofo francês Michel Foucault já alegava que a língua é uma forma de domínio social, pois quando se humilha o falante, humilha o grupo social em que esse vive, portanto, ridicularizar erros de português de nordestinos, indígenas, movimento hip hop dentre outro é um engano, visto que o Brasil multilíngue e deve-se, à vista disso, aprender e respeitar a variedade linguística de todos.
Diante da problemática, é necessária uma ação para a intervenção no problema. É preciso que as escolas trabalhem com os alunos, em todas as idades, para demonstrar as variações linguísticas do país e que isso possua a garantia de acontecer por meio da supervisão das Secretarias da Educação em cada cidade, reservando, para isso, as aulas de gramática. A partir disso, para aqueles que não se encontram mais nas escolas, o Ministério da Cidadania deve fazer campanhas publicitárias que atinjam todos, como em transportes públicos e comerciais de televisão e rádio falando mais desse preconceito e as consequências sociais que podem advir deles. Deste modo, a sociedade mudará sua postura de modo gradativo e diferenças serão respeitadas.