Preconceito Linguístico

Enviada em 06/09/2019

O poema “vício na fala” do escritor brasileiro Oswald de Andrade, aborda a temática das variantes linguísticas existentes no Brasil diante da diversidade que as palavras são utilizadas pelos cidadãos na comunicação oral. Nessa perspectiva, o Brasil, possui desde a sua formação histórica, a miscigenação social e cultural que está interligada na pluralidade da língua brasileira, como exprime o poema, contudo, ainda existe o preconceito linguístico e está relacionado com o aspecto etnocêntrico dos brasileiros, bem como na atuação do sistema educacional brasileiro frente ao preconceito linguístico.

No âmbito social a teoria da ação comunicativa do filósofo alemão Jurgen Habermas, aborda a ideia de que o diálogo deve buscar consenso através da ética para a construção da sociedade. Nesse sentido, o diálogo não deve ser uma ferramenta de superioridade e etnocentrismo, fatores esses que indicam preconceito, uma vez necessita de respeito entre os envolvidos para que a comunicação não seja baseada em crenças individuais, mas sim firmada na adequação linguística indicado para cada ocasião social. Desse modo, a falta da teoria comunicativa de Habermas no Brasil pode ser confirmada pelo caso do médico brasileiro Guilherme Capel, que publicou em suas redes sociais uma crítica depreciativa a forma de como os pacientes se comunicavam, através da exposição das palavras, pneumonia e raio X, uma atitude preconceituosa e que desconsiderou as variantes da língua.

Ademais, a funcionalidade das instituições de ensino do Brasil frente à diversidade linguística do país pode intensificar atitudes de preconceito. Isso pode ser relacionado com o pensamento do educador brasileiro Paulo Freire, que defende a ideia de que o oprimido precisa ter consciência de sua condição, de quem ou o que o oprime, assim esse oprimido pode ser relativo aos alunos que, no caso  se não receberem uma educação ampliada para promover essa consciência, esses não conseguirão discutir ou discordar com o opressor, que no caso seria o preconceito.Com isso, a escola deve ensinar não o certo ou o errado da língua, mas sim o português padrão em conjunto com as variantes linguísticas do país, com o objetivo de promover uma formação cultural e social do aluno.

Portanto, o Ministério da Educação intervir nas escolas do país, através de um projeto educacional que tenha o intuito de ampliar a temática das variantes da língua brasileira, através de fóruns de discussão nas salas de aula entre os discentes e os docentes, além de incluir nesses fóruns livros didáticos que possam ser analisados pelos alunos as variedades da língua, com o objetivo de promover o respeito. Além disso o MEC deve fornecer cursos aos professores para que ocorra uma capacitação e que eles possam compreender a forma mais eficaz de lecionar sobre o preconceito linguístico sem a imposição do certo ou o errado da língua, e sim demonstrar as adequações que devem ser feitas.