Preconceito Linguístico

Enviada em 04/09/2019

Língua certa e errada?

Oswald de Andrade, importante expoente do modernismo, evidência em seu poema “Pronominais” a diversidade do uso da língua portuguesa. Hodiernamente, pode-se vincular o poema com o avanço do preconceito linguístico que ainda é uma forte realidade vigente no Brasil, seja pelo estigma da linguagem “certa” e “errada”, seja pela segregação social. Nessa perspectiva, convém analisar os principais entraves que fomentam a manutenção da temática.

Em primeiro plano, é indubitável que a escola atua como limitante as variações linguísticas existentes, intitulando a gramática normativa como una e assim se torna uma das causas da ascensão do preconceito linguístico. Nesse cenário, pode-se perceber que a prevalência dos estigmas de língua “certa” e “errada” dentro das escolas colabora com o avanço do preconceito linguístico, tendo em vista que os professores, muitas vezes, não citam a existências de variantes a norma culta. Nesse sentido, pode-se vincular a defesa pelo MEC de um livro didático com linguagem popular, com o intuito de mostrar o quão vasta é a língua escrita e falada nas diversas regiões e ocasiões. Diante disso, a prevalência da banalização às variantes linguísticas se torna um intensificador dessa adversidade.

Outrossim, além dos empecilhos causados pelos estigmas escolares, a segregação social se torna outro potencial impulsionador da problemática. De maneira análoga, pode-se vincular o pensamento de Marx, em que além de definirem os padrões a serem seguidos por uma sociedade, os grupos dominantes escolhem aqueles que terão acesso aos meios necessários para alcançá-los, gerando, portanto, um cenário segregacionista. Nesse contexto, o uso da “norma padrão” é usado como ferramenta de poder, em que aqueles que não a utilizam adequadamente são inferiorizados, sendo necessárias alterações nesse cenário.

Infere-se, portanto, que há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem solucionar o impasse. Desse modo, cabe ao ministério da educação promover a concepção da pluralidade linguística nacional dentro do âmbito escolar, a fim de salvaguardar o conceito de variante linguística e garantir o papel fundamental das escolas de formador de jovens conscientes e empáticos perante a sociedade, evitando dessa forma preconceitos, segregação e estereótipos sociais. Além disso, é imprescindível que a mídia atue oferecendo campanhas através dos principais meios de comunicação com o intuito de demonstrar que o Brasil possui diversas variantes linguísticas que devem ser respeitadas. Dessa forma, a diversidade do uso da língua portuguesa citada por Oswald de Andrade, será valorizada amplamente.