Preconceito Linguístico

Enviada em 05/09/2019

O Brasil é um país com proporções continentais, portanto, há grande pluralidade em sua cultura. Essas variações atingem a culinária, as músicas e, principalmente, o modo da fala. Devido a isso, o preconceito linguístico está presente na sociedade, em virtude do pensamento superior de alguns. Dessa maneira, torna-se evidente a grande problemática, que pode ocorrer entre regiões e entre as classes sociais.

Diante desse contexto, é explícita a visão marcada por fala “certa” e “errada” no ideário brasileiro. No livro da modernista Clarice Lispector, “A Hora da Estrela”, a personagem nordestina Macabea é discriminada por seu vocabulário interiorano e, assim, representa diversos brasileiros. Nesse sentido, sotaques e gírias, principalmente advindos do Norte e Nordeste, sofrem alta exclusão pelas outras regiões, uma vez que essas duas são marcadas pela falta de prestígio social e econômico. Desse modo, vê-se que o preconceito interregional permanecerá, enquanto a população não compreender a grande variação cultura existente no território, e a não existência de uma unidade linguística.

Outrossim, as desigualdade socioeconômicas no território tupiniquim são outro fator agravante do empecilho. O linguista Marcos Bagno abordou em seu livro, “Preconceito Linguístico”, o fato daqueles de classes econômicas elevadas afirmarem que dominar a norma culta é sinônimo de ascensão social. Por esse ângulo, nota-se o caráter elitista do preconceito, uma vez que os mais pobres não possuem acesso à boa educação, dessa forma, não dominam o registro padrão. Além disso, deve-se levar em conta a adequação vocabular, visto que na maior parte do dia o informal prevalece, seja em conversas orais ou escritas, tornando incoerente tal segregação. Logo, é necessário fazer com que a população entenda que a clareza da comunicação é o mais importante, não importa qual norma use.

Destarte, faz-se mister medidas para mitigar o preconceito linguístico no Brasil. É dever do Ministério da Educação, junto aos órgãos midiáticos, por meio de debates nas escolas com a participação dos pais, rodas de discussão nas ruas e vídeos informativos na internet, expôr a problemática e apresentar indivíduos que sofrem preconceito linguístico para compartilharem suas experiências dolorosas, com o intuito de erguer na população maiores reflexões acerca do tema ,e que a mesma altere seus comportamentos à longo prazo. Dessa maneira, será possível transformar o Brasil em um lugar menos preconceituoso e mais agradável à sociedade.