Preconceito Linguístico
Enviada em 05/09/2019
No período de colonização do Brasil houve a imposição da Língua Portuguesa sobre a indígena, a africana, e a dos demais povos que aqui chegaram. Através dos anos, a língua falada incorporou elementos de outros dialetos, formando diversas variantes. Nesse viés, o preconceito linguístico é tecido pela intolerância às diferenças linguísticas existentes no idioma. Esse menosprezo é prejudicial à sociedade, na medida em que gera constrangimento aos falantes e provoca homogeneização da cultura.
Em primeiro plano, não existe forma certa ou errada da língua, mas maneiras adequadas e inadequadas a depender do contexto inserido, como ensina o linguista Marcos Bagno em sua obra “Preconceito Linguístico: o que é e como se faz?”. As variações linguísticas existentes na língua decorrem das regiões, dos grupos sociais e do grau de escolaridade. Todavia, o conhecimento da gramática normativa é usado como instrumento de segregação, visto que há maior valorização de alguns saberes sobre outros, na visão do sociólogo Pierre Bourdieu. Essa discriminação é evidenciada quando um indivíduo se comunica numa variação distinta da padrão, sofrendo discriminação. Essa atitude é inaceitável, pois, em um país de grande extensão territorial e notável diversificação cultural, exigir que haja somente uma variante linguística é impraticável.
De outra parte, a eliminação da diversidade da língua levaria à perda da identidade cultural da região ou do grupo social. O filósofo Michel Foucalt disserta em sua obra “Microfísica do Poder” que a língua é usada como forma de dominação. Nesse contexto, a mídia é a responsável por divulgar com maior prestígio a variante regional do Sudeste, e satirizar a do Nordeste. Essa divulgação fomenta o preconceito e o menosprezo, corroborando o sentimento de inferioridade dos nordestinos, fazendo com que a variante seja menos valorizada. Logo, essa forma divulgação tem que ser, indubitavelmente, reestruturada.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar a problemática. Caberia à escola a promoção de debates sobre a importância da variedade linguística para o país, naturalizando cada vez mais a tolerância às diferenças aos indivíduos. Por sua vez, competiria ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia, a divulgação de conteúdos educativos enfatizando a legitimidade da pluralidade da língua por meio das redes sociais, televisão e no rádio. Dessa forma, a Língua Portuguesa no Brasil teria sua essência singular mais bem assegurada.