Preconceito Linguístico
Enviada em 06/09/2019
Oswald de Andrade, autor modernista, por meio do seu poema Pronominais, trouxe uma inserção da língua regional brasileira para o âmbito literário. Contudo, na esfera social, tanto a escola quanto os meios de comunicação têm inibido o predomínio dessas falas por meio de um preconceito embutido.
Em primeira análise, nota-se a inflexibilidade escolar frente a essa problemática. Sendo a escola um ponto de encontro de diversas culturas, seu caráter conteudista e a sua rigidez em empregar a qualquer custo as regras gramaticais, acabam, por muitas vezes, ignorando e desrespeitando as diversas falas que lá existem, de modo a causar até uma exclusão a quem não se adequar a fala padrão. Consoante a isso, o linguística Marcos Bagno, afirma que pela escola não reconhecer as diversidades linguísticas, termina impondo uma norma padrão a mais de 200 milhões de brasileiros. Paralelo a isso, a mídia também intensifica essa problemática. Fica evidente que, por meio de suas novelas, há sempre um personagem secundário, do qual é um nordestino caricaturado, que tem um jeito rústico, preguiçoso e até tolo, com a finalidade de ser o alívio cômico da trama. Prova disso é a novela Rei do Gado, onde há uma personagem que pede para ir a uma escola, com a intenção de “falar direito e feito gente” deixando claro um preconceito subentendido.
Fica claro, portanto, que a variação linguística não só deve ser valorizada no campo da literatura, mas também no social. Logo, cabe ao Ministério da Educação, junto com as Universidades, investirem em cursos de capacitação para os professores da língua portuguesa, e, por meio de linguistas, torná-los mais flexíveis e instruí-los a dar aulas sobre as regras gramaticais, sem que seja necessário sobrepor-la à língua popular, afim de promover a inclusão no plano escolar. E, também, dever da mídia, por meio das novelas, trazer atores locais de regiões, destacado-os na trama, a fim evitar a caricaturalização dos personagens e reduzir esse preconceito embutido.