Preconceito Linguístico

Enviada em 07/09/2019

Sob a perspectiva histórica, o ensino da língua portuguesa aos indígenas, durante o período colonial brasileiro, consistiu em um processo de apagamento cultural. Nesse sentido, a reestruturação desse contexto na sociedade brasileira, o qual uma norma sobrepõe-se a diversidade linguística, sucede-se pela ausência de um diálogo educativo entre sociedade e Estado. A partir disso, observa-se que políticas públicas, educadoras e valorizadoras da pluralidade da linguagem, são medidas preteríveis frente à problemática.

Em primeiro plano, o sociólogo Stuart Hall, em sua obra “Identidade e Diferença”, concebe a língua e suas variações como responsáveis pela composição das identidades dos indivíduos. Sob esse viés, o preconceito linguístico é uma prática silenciadora de diversas culturas dotadas de variações da fala, ao passo que impõe uma sobreposição excludente ao desconsiderar a variedade da linguagem. Dessa maneira, essa ação intolerante impacta nas dinâmicas cotidianas da malha social, por exemplo, pessoas sendo ridicularizadas por seus dialetos e sotaques não comuns a determinadas partes do território brasileiro.

Ademais, segundo o relatório da Organização Não Governamental Safernet, no decurso das eleições de 2014, as ofensas a nordestinos na internet sobre seus biotipos, modos de fala e ideologia política cresceram 365,46%. Mediante a esse ângulo, nota-se um contexto análogo ao do tecido social colonial do Brasil, em que uma cultura era sobreposta a outra com intuito de menosprezá-la, apagá-la e padronizar o corpo social. Dessa maneira, a reconfiguração de práticas colonialistas não são toleráveis no Estado de Direito brasileiro.

Portanto, diante dos fatos supracitados, é dever do Estado agir no sentido de educar a população sobre a pluralidade dos dialetos da fala para confrontar a discriminação linguística. Sendo assim, compete ao Ministério da Cidadania elaborar e executar um plano nacional abrangedor de propagandas televisivas e digitais educativas sobre a valorização das diferenças dos jeitos diversos de pronúncia e dialetos por meio de investimentos orçamentários na Secretaria Especial de Comunicação Social. Desse modo, tem-se o intuito de utilizar políticas públicas educadoras e enaltecedoras da diversidade dos falantes para mitigar o preconceito linguístico no Brasil.