Preconceito Linguístico
Enviada em 09/09/2019
Nos quadrinhos da Turma da Mônica, o personagem Cebolinha, ao se comunicar é sempre ridicularizado e corrigido pelos seus amigos por trocar de letras e fonemas. No entanto, a ficção não está muito distante da realidade, utilizado como mecanismo de dominação, a questão do preconceito linguístico, é uma problemática persistente no país. Nesse contexto, percebe-se um grave problema de contornos específicos, o qual ocorre não só devido aos resquícios históricos, mas também pelo juízo de valor.
Convém ressaltar, primeiramente, de que forma a imposição da língua portuguesa impacta no Brasil. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Nesse âmbito, desde o período colonial, como forma de garantir a hegemonia lusitana, imposto pelos portugueses, estes proibiam os povos africanos e indígenas a se comunicarem nas suas línguas.
Dessa forma, a língua portuguesa foi naturalizada, como previsto por Bourdieu, o que acarretou na opressão da linguagem nativa. Outrossim, evidencia-se o juízo de valor como impulsionar para o problema. Consoante o filósofo Michael Foucault, alguns assuntos são silenciados com objetivos pré selecionados. Nessa perspectiva, as classes utilizam o seu conhecimento da norma culta brasileira, para se sobressair e manter um referencial. Logo, é evidente que toda discriminação linguística é um preconceito social, visto que as pessoas com baixa formação ou com variação linguística, não seguem a padrão imposto e, sendo assim, são reprimidas.
Mediante o exposto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Portanto, cabe ao Ministério da Educação deve exigir o conhecimento das variações linguísticas nas escolas, por meio de aulas expositivas e pesquisas realizados pelos alunos, que serão apresentados em forma de saraus aberto ao público, em forma de teatro, músicas e literatura, com finalidade de promover o conhecimento da variações linquisticas presentes no Brasil. Assim, o preconceito linguístico será atenuado, e casos de discriminação, como o do Cebolinha, não ocorrerão.