Preconceito Linguístico
Enviada em 10/09/2019
O latim era a língua oficial do antigo império romano, e por não falarem a mesma, todos os outros povos que habitavam fora das fronteiras da antiga Roma eram chamados de bárbaros.Todavia, mesmo depois de, aproximadamente, 20 séculos após a queda de Roma ocidental, o preconceito linguístico continua sendo uma forma de exclusão social na sociedade brasileira. Nesse contexto, é necessário compreender as razões e consequências desse preconceito, entender a função da língua e regionalismos no Brasil e buscar alternativas para resolver a questão.
Nesse sentido, o filósofo e escritor brasileiro Marcos Bagno, afirma que o preconceito linguístico está ligado, principalmente, à falta de entendimento e compreensão dos termos língua e gramática normativa. Além disso, Bagno explica que o conhecimento da gramática normativa tem sido usado como um instrumento de distinção e de dominação pela população culta, desse modo, analfabetos, semi-analfabetos, excluídos e minorias sentem-se humilhados, envergonhados ou constrangidos quando fazem uso da fala em alguns lugares elitizados como bancos, instituições públicas e privadas. Logo, é inaceitável que a vergonha e o medo de falar em público sejam um empecilho para gozar da liberdade de expressão, que é garantida a todos na forma da lei.
Ademais, a língua portuguesa tem a sua formação ligada aos vários povos que compõem a população como europeus, índios e negros, e devido ao grande tamanho do país, há vários hábitos culturais que formam os regionalismos. Por esta razão, diferentes objetos, ações e costumes podem ser reconhecidos por diferentes vocábulos em cada região do país, de modo que cada grupo regional tende a considerar o seu vocabulário melhor, e por não compreender outros signos, desprezam os de outrem, gerando assim outra forma de preconceito linguístico e até cultural. Portanto, cabe a sociedade por meio das escolas, da família e da mídia, fomentar uma postura crítica de valorizar e respeitar a riqueza que o Brasil possui e não de julgar aos que falam ou se expressam de forma adversa, além do mais, segundo, o escritor inglês Peter Ustinov: “comunicação é a arte de ser entendido”.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o problema e garantir o direito de expressão. Assim, o Congresso brasileiro deve legislar e criar uma lei que criminalize o preconceito linguístico a fim de punir os que usam dessa pratica para menosprezar, ofender, humilhar e constranger outras pessoas. Além disso, o Ministério da Educação deve investir na divulgação de propagandas em horários na TV e rádios e mídias sociais para conscientizar sobre a importância da riqueza e diversidade linguística do povo brasileiro e também alertar de que esta prática pode ser considerada crime de acordo com a nova lei vigente. Assim, a língua romperá as fronteiras do preconceito.