Preconceito Linguístico

Enviada em 17/09/2019

A personagem Chico Bento, da “Turma da Mônica”, sempre é reprimido e castigado por sua professora pelo seu modo de uso da língua o qual desvia da norma culta. Fora da ficção, esse cenário de preconceito linguístico ainda é bastante comum no Brasil. Infelizmente, isso ocorre devido as formas veladas que o preconceito utiliza para se manter e argumentos insustentáveis para a sociedade atual. Portanto, algumas providências são necessárias para sanar a situação presente.

No cerne dessa problemática estão os modos discretos que o preconceito usa para se manter na sociedade, como se entremear ao humor ou produções culturais. A exemplo disso, tem-se o Jeca-Tatu, de Monteiro Lobato, que por usar muitos regionalismos e coloquialismo era colocado em uma função de alivio cômico e subvalorizado. Logo, com essa banalização muitos indivíduos acabam por achar normal rir de quem fala diferente ou se achar superior a eles pelo seu tipo de variante linguística. Consequentemente, cria-se um ciclo de desrespeito difícil de ser quebrado e aos poucos passa a ser usado como justificativa para ações que denigram a imagem do próximo.

Ademais, outro agravante é o uso de argumentos ilógicos para querer ranquear uma forma linguística como mais ou menos válida. Um dos exemplos mais antigos é do período colonial, quando os portugueses ao perceberem que as línguas nativas não usavam F, R e L em sua fonética , construíram uma fala de que os povos originais eram bárbaros. Apesar, desse pré-texto ser uma falácia, porque diversos fatores influenciam a construção de uma língua, como a morfologia das pessoas, seu contexto histórico, ambiente dentre outros, muitos acreditavam. Analogamente a esse período, no Brasil atual diversas pessoas julgam as variações linguísticas sem saber o motivo delas ocorrerem e com discursos sem uma embasamento plausível. Como consequência, uma tensão social é criada e um sentimento negativo que poderia ser evitado se consolida.

Em prol de mitigar esse cenário o Ministério da Educação e Ciência (MEC) deve fortalecer a presença positiva das variações linguísticas. Para tal, o órgão federal pode criar programas em parceria com plataformas de streaming, trazendo de benefícios para estes algumas isenções fiscais, nos quais os protagonistas usem seus regionalismos e não sejam reprimidos, mas sim tenham espaço para discutir sobre a formação deles. Sua distribuição será feita nas escolas, canais de televisão e internet. Os roteiros desses shows devem passar por uma análise de uma banca de especialistas em línguas e de pessoas, as quais usam as variantes, de modo a criar um produto fidedigno com a realidade . Dessa maneiras, situações como a passada pela personagem Chico Bento de desrespeito e intolerância vão ser cada vez menos comum na realidade