Preconceito Linguístico

Enviada em 09/09/2019

O preconceito, segundo Pierre Bourdieu, seja ele qual for, viola os Direitos Humanos, na medida que a perpetuação dessa prática atenta contra a dignidade da pessoa humana. Nesse sentido, o preconceito linguístico no Brasil se coloca como uma dessas violações, pois subjuga e marginaliza aqueles que não fazem uso da norma padrão. Com efeito, para reverter essa lógica, há de se desconstruir a influência do entretenimento e a omissão escolar acerca do tema.

Em primeiro plano, fica evidente que o entretenimento, principalmente o televisivo, fortalece o preconceito linguístico. A esse repeito, de acordo com Theodor Adorno, a Indústria Cultural impõe a uniformização de comportamentos como a padronização da fala, por exemplo. Ocorre que os programas humorísticos do país geralmente associam as falas regionais ao caráter cômico e, consequentemente, como denuncia Adorno, a população tende a reproduzir essa visão estereotipada, o que a faz subjugar aqueles que se comunicam dessa maneira, na medida que o entretenimento enfatiza uma suposta superioridade para aqueles que usam a norma culta do idioma. Nessa perspectiva, enquanto o Brasil não valorizar as variações do português nacional, o país continuará segregando parte de sua população.

De outra parte, o modelo educacional vigente incentiva o preconceito linguístico. Nesse viés, segundo o escritor Rubem Alves, a escola pode servir como asas ou gaiolas, visto que pode superar limites ou perpetuar situações de exclusão social. Nesse contexto, as escolas do país sustentam - até agravam - o preconceito linguístico, uma vez que esse ambiente enfatiza apenas o ensino da língua formal em detrimento das diversas formas de comunicação regional do idioma, o que forma uma sociedade que marginaliza aqueles que não fazem o uso da norma culta do português. Logo, enquanto a escola permanecer desconsiderando as nuances da linguagem nacional, os indivíduos continuarão descriminando aqueles que “falam diferente”.

Torna-se importante, portanto, ações para frear o preconceito linguístico no país. Nesse sentido, a sociedade civil deve, por meio de debates nas redes sociais, repudiar a prática da descriminação linguística nos programas televisivos, para desconstruir os esteriótipos sociais e fazer com que as variantes do idioma sejam respeitadas dentro de suas particularidades. Ademais, cabe ao Ministério da Educação promover, por intermédio de feiras temáticas que mostre a pluralidade da língua em cada região, o ensino diversificado do idioma, isto é, valorizando as suas variações, com intuito de transformar a escola em um local que respeite a diversidade da língua, o que mitigaria a descriminação contra os não usuários da norma culta. Assim, o país respeitaria a dignidade da pessoa humana.