Preconceito Linguístico
Enviada em 13/09/2019
Desde o período colonial, a formação da língua portuguesa no Brasil passou por diversas mudanças. Nesse contexto, o dinamismo da língua é uma característica peculiar no país verde-amarelo. Não obstante, o modo variado da gramática mostra o preconceito enraizado por parte daqueles que a seguem corretamente para com os que não detêm tal conhecimento.
Em primeira instância, e válido ressaltar que, a formação da linguagem brasileira nasceu da união de três idiomas principais: português de Portugal, o indígena e o africano. Nesse sentido criou-se a necessidade de abarcar palavras de todos, incluindo algumas de origem inglesa na construção do português brasileiro. Por conseguinte, no vasto país Brasil, as formas regionais da fala e escrita tornam singular a gramática falada. Todavia, isso gerou um pressuposto equivocado de que é necessária a homogeneidade na fala de pessoas pertencentes ao mesmo país, o que culminou no, infelizmente conhecido, preconceito linguístico.
Em segunda instância, o modo de comunicação não condizente com a gramática culta, gerou a inabilidade por parte de indivíduos em lidar com a variedade da língua, que está atrelado não só a fala ou escrita, mas as classes sociais bem como os diferentes acessos à educação. Segundo o filósofo Marcos Bagno, em seu livro “Preconceito Linguístico: o que é e como se faz” fica clara a noção de que não há maneira certa ou errada de se comunicar, uma vez que a mensagem foi compreendida. Ademais, o IBGE estimou que 11,8 milhões de pessoas no mundo, não sabem ler nem escrever, o que nos revela o quão míopes sociais, são os indivíduos que praticam esse tipo de preconceito.
Entende-se, portanto, que o prejulgamento enraizado atrelado à falta de altruísmo, acarreta na forma discriminação dos não falantes da norma culta. Para mitigar esse problema, é fundamental uma ação conjunta no qual a mídia, responsável por disseminar a empatia na população, com temas que agreguem valor a todas as formas de comunicação a fim de desconstruir a miopia social. Concomitantemente, os Estados devem ampliar a rede de ensino de forma eficiente, respeitando a língua de cada região e as valorizando. Para que assim seja possível a compreensão da singularidade de cada língua, respeitando os pilares democráticos.