Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2019
No Brasil, a primeira fase modernista se caracterizou pela valorização da linguagem popular. A exemplo disso, a obra “Pronominais” de Oswald de Andrade descreve a norma culta e a destrói ao exemplificar a fala popular do país. No entanto, apesar de tal contribuição, no cenário hodierno o preconceito linguístico é potencializado tanto pela desigualdade, como por variantes tecnológicas. Nesse contexto, faz-se necessário discutir as causas desse problema na sociedade.
Em primeiro lugar, é importante evidenciar que a desigualdade social favorece a segregação das variedades linguísticas. De acordo com Karl Marx, a classe dominante é a que detém maior poder. Tal pensamento se justifica pela priorização de uma norma padrão já nas escolas, o que origina uma classificação em que somente uma língua é considerada correta, de modo que o seu uso consiste em prestígio social, destinado à pessoas de classe alta e elevada escolaridade. Em contrapartida, grupos que não possuem o mesmo acesso à educação como a região Nordeste que, segundo o IBGE, concentra 52,7% dos analfabetos do Brasil, são menosprezados e julgados socialmente como externos ao padrão culto, o que se exemplifica pelos estereótipos relacionados ao sotaque nordestino e interiorano. Dessa forma, a linguagem torna-se ferramenta para o prejulgamento da situação econômica e instrucional das pessoas.
Ademais, essa conjuntura tornou-se potencializada por meio da esfera tecnológica. Isso porque, com o avanço dos meios de comunização e a diversidade de ferramentas, a propagação de ideias se tornou mais abrangente. Nesse aspecto, a ridicularização midiática em retratar certos povos, sobretudo por meio de programas televisivos e páginas “humorísticas”, são carregados de intolerância e usam a linguagem como forma de inserir o preconceito que reflete o panorama social. Com isso, percebe-se que a mídia que deveria ser precursora da igualdade e promover a desconstrução de estereótipos, age como catalizadora do desprezo às variantes linguísticas que, por si só, já é alvo de discriminações.
Diante do exposto, percebe-se que vários fatores favorecem para a manutenção do preconceito linguístico. No intuito de amenizar esse cenário, é importante que o Ministério da Educação amplie o acesso à educação, mediante políticas de incentivo à permanência escolar, a fim de minimizar as taxas de analfabetismo no país e, consequentemente, aumentar a escolaridade e o conhecimento sobre a norma culta. Ademais, é essencial que a mídia modifique sua postura sobre à sociedade, perante a promoção de campanhas sobre a diversidade de línguas através da televisão, no intuito de promover a aceitação e a normalização das diferentes características regionais. Dessa forma será possível valorizar a língua popular, assim como ocorreu na literatura modernista por Oswald de Andrade.