Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2019
É incontestável, em decorrência dos processos históricos, os diversos fatores que influenciaram o idioma do Brasil, como a literatura jesuítica, em prol da catequização dos índios, e a miscigenação de culturas. Nesse contexto, as desigualdades sociais surgiram e passaram a determinar a linguagem correta e a incorreta, emergindo o preconceito linguístico. Sob tal ótica, as demais variantes da língua portuguesa foram julgadas como errôneas, por alguns brasileiros.
Em primeira instância, o Brasil é um país com dimensões continentais, o que propicia a grande diversidade de variações linguísticas, atrelado ao seu passado , que possui a influência de várias culturas. Nessa perspectiva, conforme Zygmunt Bauman, sociólogo, definiu o conceito de ‘‘Modernidade líquida’’, em que a sociedade é mutável, assim como a fluidez da língua. Não obstante, esses fatores, para alguns, tornam-se subjetivos e vários cidadãos julgam, preocupantemente, a linguagem informal como errada, disseminando o preconceito linguístico.
Por conseguinte, no âmbito escolar, principalmente, onde é aprendido a linguagem culta, alguns alunos de classes sociais mais favorecidas, menosprezam os que utilizam um linguajar mais acessível, com influências regionais e socioculturais, a eles e simples. Com base nisso, ocorre o desenvolvimento de problemas de sociabilidade desses e a propagação da problemática.
Torna-se visível, portanto, que a questão é nociva ao desenvolvimento social, visto que, a linguagem, em diálogos informais, é correta quando não há ruídos. Dessa forma, faz-se necessário que o MEC (Ministério de Educação e da Cultura) incentive as escolas, por meio dos professores, a realizarem trabalhos que envolvam as várias variantes linguísticas do Brasil, propondo a origem e as principais características delas, com uma discussão sobre cada uma. A fim de inibir que o preconceito linguístico continue propagando, pois de acordo com Kant ‘‘O homem é aquilo que a educação faz dele’’.