Preconceito Linguístico

Enviada em 20/09/2019

É inegável que a língua varia drasticamente entre regiões, níveis de escolaridade, classes sociais, culturas, etc . Portanto, a maneira de falar reflete diversas características do meio de viver de uma pessoa. Infelizmente, isso pode acarretar em um problema sério na sociedade: o preconceito linguístico, que consiste na crença de que certas variedades linguísticas são superiores a outras. Esta problemática se origina principalmente de uma estratificação grave entre as camadas sociais, que corrobora o ataque à cultura alheia, pois cria-se o paradigma de que a norma padrão, mais usual em segmentos abastados, é a única correta. Tal visão de mundo tem seu início no próprio sistema educacional brasileiro.

A criação desse preconceito se inicia, por exemplo, nas escolas, pois há o costume de se acreditar que os educadores devem reprimir o uso da fala coloquial dos educandos, forçando-os a adaptar-se à forma padrão. Apesar do conhecimento da norma culta ser essencial para a ascensão social, ela deve ser ensinada para agregar à alteridade do aluno, não em detrimento de sua própria maneira de se comunicar. Como nos mostra os preceitos da obra de Paulo Freire, a educação não deve ser por meio de repressão, senão ela não será realmente efetiva.

Outrossim, é indubitável que, nos dias de hoje, a desigualdade social no Brasil faz com que certos segmentos da sociedade tenham maior acesso à educação e, por conseguinte, um melhor domínio da norma culta. Marcos Bagno, em seu livro “A língua de Eulália”, nomeia o português padrão de “língua do patrão”, pois é usado por uma minoria que detém o poder. Com isso, o autor desmistifica a ideia da existência de uma unidade linguística no Brasil, pois é errôneo afirmar que só está correto a variedade linguística usada por uma pequena parcela da sociedade, enquanto há uma grande diversidade de camadas sociais e regiões com suas culturas próprias.

Ante o exposto, fica evidente a necessidade de órgãos governamentais solucionarem este problema. Portanto, cabe ao MEC criar o programa “Minha Língua, Minha Cultura”, que consista em levar aos educandos, por meio de uma reforma nos currículos escolares do Ensino Fundamental, conhecimento sobre as diversas variedades linguísticas presentes em nosso país e suas características, apresentando-as não como algo incorreto, mas como algo cultural. Tal atitude por parte do Estado ajudaria a diminuir o preconceito linguístico e conscientizaria a população, principalmente mais jovem, sobre a necessidade de respeitar ao próximo. Afinal, esta mazela social em muito colabora para a solidificação da disparidade social.