Preconceito Linguístico

Enviada em 21/09/2019

Historicamente, a formação do Brasil teve início na época das grandes navegações com a participação de portugueses, africanos e indígenas. No que tange a comunicação oral, várias palavras no vocabulário atual(como, albino, caçula e catapora, respectivamente,) foram herdadas desses povos. Com a regionalização do país, ligada diretamente a nacionalidade dos colonizadores em cada região, surgiu e o preconceito aos sotaques locais como também, pelas pessoas letradas em relação aos grupos sociais que não tiveram acesso à educação, causando um tipo de exclusão social.

Primeiramente, é importante lembrar que a língua é dinâmica e, em nosso país de dimensões continentais, a característica de fala muda em cada região tornado-o multilinguístico. Tal fato foi representado no poema de Oswald de Andrade- Vício na fala- no verso:” para dizer milho dizem mio(…) e vão construindo telhados”. Além disso, segundo o linguista Marcos Bagno, a mídia influencia que certa região tem a fala mais bonita ou mais correta, gerando preconceito mútuos entre os brasileiros com teor de violência. Por exemplo, quando querem representar uma pessoa pobre, certamente será da região norte ou nordeste e alguém rico e poderoso será da região centro-oeste e sudeste. Dessa forma, o conhecimento do cidadão a respeito do próprio país fica estereotipado por essa alienação midiática.

Outro fator é a fala incorreta relacionada a condição social. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo jornal de São Paulo, metade dos brasileiros não possuem diploma do ensino médio então. Porém, vale ressaltar que, diariamente, a maioria das pessoas não segue a norma padrão no discurso pois, a ele cabe apenas o estabelecimento da comunicação para entrega da mensagem, incumbindo, dessa forma, a escrita à norma padrão. Essa, por sua vez, aproxima os brasileiros ao mostrar, de certo modo, que somos iguais e temos as mesmas raízes. Por isso, não há motivos para um conjunto de pessoas se achar melhor que outro. Afinal, a fala representa a liberdade e identidade de uma pessoa e o grupo a qual pertence, seja econômico ou social.

Logo, o preconceito linguístico é negar a sua identidade. Segundo Emmanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Sendo assim, o Ministério da Educação deve determinar que a alfabetização de crianças seja por meio de livros de estórias infantis variados (como, clássicos e mitos) em sala de aula, para incentivar a leitura, com o objetivo de promover o conhecimento da norma padrão brasileira e permitir o contato escrito a outra formas de falar. A escola de ensino fundamental, por sua vez, pode promover a valorização do país e sua pluralidade linguística por meio de “workshops” para os alunos conhecerem a cultura dos estados como, gírias e gastronomia.