Preconceito Linguístico
Enviada em 23/09/2019
O preconceito linguístico é praticado muitas vezes em decorrência de outras formas de preconceitos, como o étnico, o cultural, o social e, pode ser indício, claro ou velado, de xenofobia. Por gerar segregação em vez de união, que fortalece os indivíduos, esse problema essencialmente humano deve ser combatido, por meio da educação, da orientação.
Dentro de um país com dimensões continentais, como o é o Brasil, é natural que haja diversificação de culturas, de línguas e dialetos e de variantes no modo de falar o idioma oficial. Há muitas culturas indígenas que possuem língua particular, fruto de sua história, parte de sua cultura. O preconceito a esses códigos linguísticos decorre, comumente, de juízo de valor negativo generalizado acerca de populações substancialmente diferentes no modo de viver – em relação ao padrão ocidental europeu.
De outro modo, ao se evitar ao extremo situações de convivência ou interação com pessoas socioeconomicamente desfavorecidas, por exemplo, vivendo em condomínio fechado e de luxo e em outros ambientes restritos, configura-se preconceito social que contém, certamente, preconceito linguístico.
Por fim, em países desenvolvidos sobretudo, há a associação entre xenofobia e preconceito linguístico. Nos noticiários, em 2019, ficou conhecido o caso de duas garotas brasileiras que conversavam em português em um transporte público no Canadá quando foram interrompidas por uma canadense que as hostilizou por serem imigrantes. A agressora só conhecia os idiomas nativos (inglês e francês) e, dessa forma, identificou um idioma estrangeiro e o repudiou, em um evidente caso de preconceito linguístico xenofóbico.
Diante do exposto, é notório que a segregação (social, cultural e étnica) é passível de acontecer em casos de preconceito linguístico que, para atenuar: os Estados da União através de suas secretarias de educação, devem promover debates acerca do tema em universidades públicas, abertos a todos os públicos, porque conclusões pessoais, quando bem formuladas tem grande poder de mudanças de paradigma; e, por fim, a mídia (TV e rádio, principalmente) em sua programação deve sempre relativizar o “português correto”, desconstruindo assim o preconceito linguístico em sua forma mais pura: a desvinculada de outros tipos de preconceito e atrelada à gramática normativa. Com menos preconceitos se constrói um país mais unido.