Preconceito Linguístico
Enviada em 24/09/2019
A letra da música “Abc do Sertão” de Luiz Gonzaga possivelmente causará incomodo se for falada em uma comunicação diante de alguém que não conhece os tipos de variantes linguísticas, pois ela foi construída utilizando duas, as variações regional e socioeconômica. Trazendo para fora do contexto da canção, percebe-se que parte da sociedade ainda julga o que é certo ou errado na utilização do código para estabelecer comunicação, o que acaba por promover o preconceito línguistíco. Nesse sentido, é mister compreender os infortúnios que essa forma de intolerância ainda causa na sociedade atual.
Em primeira análise, nota-se que a sociedade se encontra imersa em uma cultura de julgar o que é certo ou errado, e isso acontece, também, com o processo comunicativo. É possível ver nas cidades mais industrializadas pessoas que vão em busca de emprego de diversos lugares e acabam sofrendo uma espécie de “xenofobia linguística”, seja da forma como se fala, ou do nível de instrução do falante. E isso promove uma distinção regional, ou seja, para o senso comun se o falante é do Nordeste ele fala mais “arrastado”, se é do Sudeste, fala “chiando”. Porém, é preciso salientar que todas as meneiras de estabelecer comunicação é válida, e que a norma culta não é necessariamente a mais correta diante de alguns grupos sociais.
Outrossim, é preciso compreender que o Brasil é um país com desigualdades regionais e socias evidentes. O acesso à educação, por mais que tenha crescido, ainda não é universal e suficiente, como estabelece a Constituição Federal de 1988. Nem por isso, a forma de falar atrelada ao nível de escolaridade do indivíduo promoverá distanciamento de entendimento. Por exemplo, quando um médico e um agricultor, com baixo nível de escolaridade, estão em uma consulta, não se tem reijeição do código estabelecido, pois ele é universal e de fácil compreensão. Desse modo, não é correto alguém mais letrado provocar uma situação constrangedora ao reprimir um falante menos instruído.
É notório, portanto, que preconceito linguístico é um mal na sociedade atual. Para isso, urge medidas que sejam trabalhadas nas escolas e nos meios de comunicação afim mitigar essa problemática. As escolas deverão promover minicursos para que os estudantes possam conhecer as diferentes variantes que envolvam a comunicação de forma prática e respeitosa, como fez o Inep em 2018 que ao anunciar o número de inscrito, promovia o modo de falar de cada estado. Mas também, é importante uma difusão maior das culturas do Brasil, e isso poderá ser conhecido por meio de produções artísticas, como as novelas, abordando temáticas de respeito ao modo de fala do sertanejo. Só assim, será possível ter um país mais tolerante e compreensível das variantes que a língua possui e que geram a identidade da nação.